sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Assalto no shopping - Três dos nove suspeitos são seguranças

(A Gazeta)
Assaltantes e seguranças trocaram tiros dentro do                 shopping (Foto: Marcos Fernandes/A Gazeta)
Assaltantes e seguranças trocaram tiros dentro do shopping (Foto: Marcos Fernandes/A Gazeta)

Três dos quatro presos suspeitos de estarem envolvidos no assalto de quarta-feira no Shopping Vitória são seguranças. Um deles, Romildo de Jesus Carlos, trabalhava no shopping e é acusado de favorecer a entrada dos criminosos. 

Outro, Pablo Lyra Rodrigues, era funcionário da empresa Centurion, que segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública teria ligação com a Prosegur, responsável pelo transporte do dinheiro. A Prosegur, entretanto, nega essa relação.

Um terceiro vigilante, Jonas Barcelos Pereira Júnior, Bulacha, é empregado da Visel, que faz a segurança do shopping. Pablo e Jonas foram presos na casa de Daniel Leal Borges, responsável pelos veículos que deram fuga ao grupo.

Segundo o gerente-geral da Visel Vigilância, Lélio Cimini, Jonas tem apenas quatro meses de empresa, e acabou de sair do estágio probatório. "Ele não tinha antecedentes. Investigamos tudo, mas o ser humano é imprevisível", admitiu Cimini. 

Segundo ele, Romildo de Jesus não era segurança e tinha ainda menos tempo de casa. "Ele estava na empresa há 22 dias, no início do estágio probatório. E não era vigilante - atuava como controlador do estacionamento. O treinamento é diferente, mas ele também tinha a ficha limpa", ressalta Cimini. 

Foragidos 
Os quatro assaltantes que entraram no shopping e roubaram o malote - que continha R$ 130 mil em dinheiro - ainda não foram localizados pela polícia, mas seus nomes já são conhecidos.

Patrick Augusto da Penha estaria com o dinheiro e teria atirado contra os vigilantes da Prosegur. Além dele, Ruan Tenório e Fábio Batista da Silva também participaram da ação, ao lado de um outro homem, identificado apenas como Dinei, que seria morador de Flexal, em Cariacica.

A polícia acredita que haja um nono homem envolvido. Um senhor branco, de meia-idade, que teria como papel retirar os assaltantes do Estado. 

Fábio Batista da Silva, que está foragido, é apontado como o articulador do crime. Ele já teria participado de um assalto a uma joalheria em Vila Velha, no final do ano passado, e fugido para São Paulo, onde planejou o assalto. 

A Secretaria de Segurança faz cercos nas fronteiras do Estado com a ajuda da Polícia Rodoviária Federal, em busca de um Fiat Stilo prata, provavelmente com placas do Guarujá, São Paulo. Denúncias podem ser feitas ao Disque-denúncia (181). 

Quadrilha atuou em assalto a carro-forte 
Pelo menos parte da quadrilha que atuou no assalto ao shopping já tinha experiência. O homem de meia-idade, até ontem não identificado, teria participado do assalto que terminou em morte numa agência do Unibanco, em março do ano passado, em Vila Velha, segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Rodney Miranda. No momento do assalto, havia sete funcionários na agência e vários clientes, a maioria idosos. A pensionista Célia da Silva Barcelos, 75, foi morta ao levar dois tiros de fuzil, na porta da agência. O roubo, que tinha como objetivo um carro-forte em plena Avenida Champagnat, incluiu o uso de granadas e fuzis – armas de uso exclusivo das Forças Armadas. Os criminosos levaram cerca de R$ 1,4 milhão. Os vigilantes do carro-forte foram acusados de envolvimento no assalto. 

Presos e foragidos 
Romildo de Jesus Carlos 
Idade. 25 anos
Profissão. Era vigilante da empresa Visel, prestava serviços no shopping 
Participação no crime. Teria faci litado a ação dos criminosos dando sinal para entrarem no shopping
Situação. Já está preso

Pablo Lyra Rodrigues 
Idade. 21 anos
Profissão. Vigilante da empresa Centurion, que segundo a Secretaria de Segurança seria ligada à Prosegur, que fez o transporte do dinheiro. A empresa nega ligação com esse homem
Participação no crime. Ainda não está bem definida 
Situação. Já está preso

Daniel Leal Borges (Pitbul) 
Idade. 21 anos
Profissão. Já teria trabalhado antes numa loja do shopping
Participação no crime. É dono do carro e de uma das motos usadas na fuga. Estaria do lado de fora do shopping esperando os comparsas
Situação. Já está preso

Jonas Barcelos Pereira (Bulacha) 
Idade. 23 anos
Profissão. Vigilante da Visel, mesma empresa que faz a segurança do shopping
Situação. Já está preso

Ruan Tenório (Bocão) 
Participação no crime. Estava com a escopeta, provavelmente atirou contra o segurança
Situação. Está foragido 

Patrick Augusto Penha 
Participação no crime. Responsável por conseguir as armas usadas. Teria ficado com o malote do banco e se feriu durante a fuga 
Situação. Está foragido 

Fábio Batista Silva (Gigante) 
Idade: 23 anos 
Participação no crime. É apontado como chefe e articulador da quadrilha. Seria um dos responsáveis pelo assalto a uma joalheria no Shopping Praia da Costa, em novembro do ano passado
Situação: Foragido 

Dinei (sobrenome desconhecido) 
Origem. Morador de Flexal, em Cariacica 
nParticipação no crime. Participou da ação dentro do shopping
Situação: Foragido 

Homem de meia-idade até ontem não identificado 
Participação no crime. Teria dado fuga a Fábio, num Fiat Stilo, cor prata, com placas do Guarujá (SP). Também teria participado de um assalto a banco no Centro de Vila Velha, em março do ano passado

O roteiro do crime 
Entrada. Romildo, controlador de estacionamento, dá o sinal e pouco antes das 17h o primeiro suspeito entra de mochila pela entrada de trás do shopping 

Armas. Às 17h15, outro suspeito – que seria Ruan – chega com um embrulho, carregando a escopeta

Malote. Logo depois os três vigilantes da Prosegur entram com o malote e vão para a agência do Banco do Brasil. Os assaltantes aguardam em um quiosque

Tiroteio. Às 17h20 os vigilantes são mortos. Com o tiroteio começa o corre-corre. Os quatro assaltantes saem correndo, mas encontram uma porta fechada. Seguem e se deparam com um policial civil, que estava de folga, descendo a escada. Há troca de tiros entre eles

Fuga. Para sair, eles quebram uma porta de vidro entre o Banco do Brasil e a joalheria. Patrick se machuca. Os quatro fogem em motos. Patrick e um outro comparsa estão na moto amarela, que fica com marcas de sangue 

Carros. Daniel aguardava o grupo em um carro (um Pólo vermelho), próximo à Assembleiann Legislativa. Passa o veículo para o grupo e segue na moto amarela para Carrefour, onde a abandona. Por estar sem capacete e ter avançado um sinal, Daniel chama a atenção de um delegado na rua, que depois vai ajudar a identificá-lo 

Posse. A moto e o carro usados estão no nome da mãe de Daniel, que é funcionária da Receita Federal. Com o Pólo vermelho, Patrick e o outro comparsa vão para Carapebus, na Serra. Do hipermercado, Daniel também segue para Carapebus, de táxi. No caminho, busca a namorada 

Prisão. A partir da moto abandonada, a polícia chega à casa de Daniel. Lá, encontra Pablo e Jonas, dois seguranças que teriam ajudado na ação. Daniel foi preso dirigindo o carro, em Caratoíra, Vitória

Imagens não ajudam na identificação 
Pelas imagens do circuito interno do Shopping Vitória, não dá para identificar o rosto dos criminosos. As câmeras mostram o comportamento do vigilante Romildo de Jesus Carlos, flagrado em atitude suspeita. Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Rodney Miranda, a função de Romildo seria vigiar a parte externa do shopping. Entretanto, minutos antes do tiroteio, ele é visto na entrada lateral do estabelecimento – a mesma usada para a entrada dos vigilantes com o malote e pelos criminosos. Romildo gesticula para dar sinal de entrada e também tenta conversar com outros seguranças, provavelmente, para distraí-los. O local onde aconteceu o assassinato dos dois seguranças também chama atenção: é uma zona de sombra, onde não há câmeras. O secretário descarta a hipótese de isso ter levado os criminosos a escolher o ponto.

Jovem morto em cerco a ladrões 
Na ronda feita pela Polícia Militar na Grande Vitória, a procura de suspeitos do assalto no Shopping Vitória, três policiais teriam trocado tiros com três rapazes que estariam em atitude suspeita, por volta das 22 horas, na região de Santo Antônio, Capital.

O trio descia uma escadaria quando encontrou os policiais. A versão da polícia é que os rapazes atiraram contra a viatura. Abraão Silva Ferreira, 17 anos, um dos rapazes perseguido, foi encontrado ferido por um tiro num beco no bairro Alagoano. O garoto estaria com um revólver no chão entre as pernas. Segundo a polícia, Abraão foi levado ao hospital São Lucas, por volta de 1 hora de ontem, onde morreu.

Durante a ação também foi preso Jailson Sacht Damasceno, 23, um dos colegas de Abraão. Ele foi levado para a Divisão de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio, na Serra, onde será ouvido, e também prestará depoimento na Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Vitória sobre a morte do colega. 

Ontem à tarde, na DCCV, parentes da vítima contaram outra versão para o crime. Segundo eles, pessoas que viram a perseguição afirmam que os rapazes não atiraram nos policiais, e acreditam que o rapaz teria sido morto pelos PMs, que começaram a atirar quando o grupo correu ao ver a guarnição. Um exame vai verificar se há resquícios de pólvora nas mãos de Abraão e saber se houve ou não disparos da arma encontrada próximo ao corpo.

Visão 
Rodney Miranda , Secretário estadual de Segurança Pública

"Acho que são casos isolados" 

Houve alguma falha na segurança do shopping? 
Não vou comentar isso agora. Vamos esperar primeiro o relatório conclusivo. O shopping está colaborando. 

A ação surpreendeu pela violência... 
Algumas pessoas estão falando em ousadia, falo em covardia. Eles não deram a mínima chance para ninguém se defender. 

Um caso desses, num shopping, é um problema de segurança pública ou privada? 
Acho que são casos isolados. Agora, como a gente não tem outros parâmetros, fica difícil avaliar. Nossa viatura chegou rapidamente, fizemos o cerco...

E por que não houve a evacuação do shopping? 
Já tive a infelicidade de participar de troca de tiro, e é uma coisa muito louca. Por mais preparado que você esteja, você não ouve nada. Multidão é um negócio difícil de controlar. Não há como avaliar agora. 

Casos como esse mostram mudança no crime do Estado? 
A violência aumenta proporcionalmente ao aumento da população, mas tem crescendo muito em periculosidade. Os crimes estão ficando mais ousados. E isso pode ser explicado pelo acesso a armas mais potentes. 

E o que o Estado está fazendo para evitar isso? 
Reprimindo. Nossas apreensões sobem todo mês. Estamos nos preparando, apostando na tecnologia. Mas há outras questões: o envolvimento da sociedade, com uma política forte na área de prevenção. Se não houver isso, vai chegar a um ponto que a gente não vai ter como atender, não vai haver cadeia para todo mundo. 

Atividade de vigilantes precisa ser controlada 
O fato de três dos nove suspeitos de envolvimento no assalto com morte no Shopping Vitória serem vigilantes, segundo a polícia, desperta a atenção para o controle da atividade. O delegado federal Fernando Amorim diz que exige-se dos homens atestado de bons antecedentes, mas que pode haver falhas na alimentação do sistema de informação.

Lembra também que, convivendo num ambiente onde é possível conhecer a rotina bancária, é possível que alguém venha a ser assediado por quadrilhas. Além de bons antecedentes, vigilantes têm que ter curso de tiro e de defesa pessoal, passar por avaliação psicológica e fazer curso teórico.

Já o presidente do sindicato das empresas de segurança privada, Marcos Felix, diz que não há falha no recrutamento, mas que em todas as atividades há registro de desvio de conduta.

A Gazeta

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