domingo, 23 de agosto de 2009

Evangélicos com mais estudo e renda. E em dia com o dízimo

Jovem, mas seguro em relação à própria fé; mais informado e com renda maior, mas nem por isso menos fiel ao dízimo. Esse é o perfil do evangélico da Grande Vitória, segundo apontou uma pesquisa realizada pela revista especializada Comunhão, em parceria com a empresa Merccato.

Talvez por ter sido levado para a igreja pelos próprios pais (39%), ainda criança, esse fiel não se abala com notícias polêmicas, envolvendo o uso indevido do dinheiro do rebanho - como as veiculadas sobre a relação entre a TV Record e a Igreja Universal do Reino de Deus.

Segundo a pesquisa, 70% mantêm em dia suas contribuições regulares; e ainda fazem ofertas, como apontam 79% dos entrevistados.

"O dízimo é uma questão bíblica. Quem deu a ordem foi o próprio Deus. Ele não é invenção das religiões. A palavra diz, no livro de Malaquias, que se a pessoa for fiel, será abençoada. O evangélico sabe o que está na palavra. Há igrejas que dão ênfase exagerada ao dízimo, mas a maioria vê apenas como uma questão de seguir o que está na palavra", avalia o presidente da Associação de Pastores de Vitória, pastor Abílio Rodrigues.

O fato é que, para a maioria desses dizimistas, a vida tem melhorado. A pesquisa aponta, por exemplo, que a quantidade de fiéis com renda superior a R$ 1,7 mil e classificados como pertencentes às classes A e B aumentou de 17% para 25%. O número de pessoas com nível superior completo ou em curso também cresceu: de 9,5% para 10,9%.

A mudança no perfil do evangélico capixaba é um sinal de amadurecimento das denominações, para o pastor. "Hoje, a igreja evangélica é dos pobres, mas também está nas elites, porque a igreja de Jesus é para todos. Os pastores, que antes temiam uma escolarização dos fiéis, hoje, incentivam e são obrigados a estudar mais, a estar a par do que está acontecendo no mundo para atender ao seu rebanho. Há muitos jovens na igreja, e eles, se não são universitários, estão buscando ter uma faculdade".

O fato de ter melhorado de vida não faz, porém, com que os evangélicos mudem suas concepções religiosas: a maioria (77,9%) não mudou de religião recentemente e diz participar em nível médio ou alto das atividades da igreja que freqüenta.

O motivo dessa intimidade com a fé professada pode estar na maneira com que esse fiel é tratado pelos pares nessas atividades. Mais de 80% diz que já foi visitado em casa pelo pastor ou por lideranças da igreja.

Uso de internet aumenta entre fiéis
Pedidos de oração on-line, comunidades nos sites de relacionamento e disposição para estar conectado horas e horas. Aos poucos, a internet está se tornando uma extensão da igreja para muitos evangélicos na Grande Vitória. Quase 70% deles acessam esse recurso de casa. O tempo de uso também aumentou de 9 para 12 horas por semana.

A pesquisa aponta que, além de o acesso à internet ter crescido 7% em relação a 2008, 41,6% dos fiéis dizem que suas igrejas têm sites e que se comunicam por meio de sites, como Orkut, e programas, como o MSN.

"O mundo digital é uma realidade para mais da metade das famílias evangélicas, e as denominações já disponibilizam, inclusive, transmissões on-line dos cultos", diz o coordenador da pesquisa, Anselmo Hudson Nascimento.

O acesso às novas mídias também faz parte da rotina de jovens da Assembleia de Deus de Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. Para Sarlon Correa, 23, Luiz Paulo Silva, 19, Samara Campos, 21, Hergeton Ramos, 26, e Carol Martins, 15, o acesso à pagina da igreja virou um hábito e a troca de e-mails é constante. "É um meio de atrair as pessoas para a igreja", opina Hergeton.

Pioneira no uso de tecnologias, a Primeira Igreja Batista de Vitória tem uma webTV desde 2003, e acaba de renovar seu site. "A ideia é evangelizar em todos os meios. Já tivemos 300 pessoas on-line. Muitos nem são evangélicos. Isso é maravilhoso", diz Levi Batista, um dos coordenadores do site.

Pastores: dízimo, para evangélico, é prova de fé
A fidelidade dos evangélicos à entrega do dízimo apontada na pesquisa pode ser explicada, em parte, pela relação íntima que os fiéis têm com os textos bíblicos, especialmente os que se referem à doação de parte do que se ganha regularmente para Deus.

"Os fiéis fazem isso de forma voluntária, nada é imposto, mas as pessoas creem, têm fé de que serão abençoadas se cumprirem esse mandamento do Senhor", explica o pastor da igreja Assembleia de Deus da Praia da Costa e ex-presidente da Convenção de Assembleias de Deus do Estado (Cadeeso), Marinelshingtom da Silva.

Ele lembra, ainda, que, de acordo com o estatuto de cada igreja, é feita a prestação de contas do uso do dinheiro que vem do dízimo, e todos os fiéis têm acesso a ela. "Pode ser mensal, trimestral, cada igreja tem sua forma, mas os livros devem estar acessíveis", ressalta, acrescentando que nenhum pastor tem o direito de constranger algum fiel por não ter dado o dízimo.

A relação do cristão com o dízimo também é histórica, como lembra o pastor metodista e Phd em Teologia, Antonio Geraldo de Sousa Filho. "O Cristianismo e o Judaísmo sempre tiveram compromisso com o dízimo, que aparece antes da lei, durante a lei e depois da lei", afirma em referência ao antigo e novo testamento da Bíblia.

Convento é o ponto turístico mais admirado
A pesquisa também perguntou aos evangélicos na Grande Vitória qual o ponto turístico mais admirado do Estado e eles responderam (30%) que era o Convento da Penha, principal local de romarias para os católicos. O local também é visto como o principal ponto turístico em Vila Velha. Na Serra, o mais votado foi o Mestre Álvaro e em Cariacica, o Moxuara.

Legião de fé

1,5 milhão
Esse é o número aproximado de evangélicos no Estado, segundo a Revista, que ouviu 800 pessoas, em junho.

Análise

Em busca de sentido
Vitor Rosa - Professor de Filosofia da Faesa

Esse tem sido um fenômeno comum a várias igrejas: a busca dos jovens pela religião. Ao contrário do que acontecia em outras décadas, quando a juventude se afastava de qualquer denominação e havia a negação do elemento religioso, hoje, numa sociedade "líquida", como dizem alguns autores, onde as relações se desfazem com facilidade, eles vivem em busca de sentido para suas vidas e encontram isso nas comunidades religiosas. Em relação ao aumento de escolaridade, é uma tendência da população como um todo, em função das políticas públicas que vem sendo implementadas. A Teologia da Prosperidade, propagada por várias denominações, também influencia esse dado porque diz que a pessoa que cresce, tem mais bens, é abençoada por Deus. Também no meio pentecostal as pessoas são levadas a a ter uma vida com menos opções de lazer, o que é comprovado pela pesquisa. Praticam esportes, ficam em casa, vão à igreja, mas não vão ao bar, não bebem, não fumam, aumenta a possibilidade de poupança. Já a preocupação com o dízimo é uma característica forte desse público, em que muitas igrejas fazem uma interpretação mais literal da Bíblia, o dízimo é visto como um mandamento.
As igrejas

Denominação
Assembléia de Deus 31,42%
Maranata 13,34%
Batista CBB 9,60%
Batista Renovada (CBN) 7,48%
Deus é Amor 4,74%
Adventista 3,99%
Quadrangular 3,24%
Universal do Reino de Deus 4,11%
Presbiteriana (IPB) 2,62%

Fonte: A Gazeta de 23/08/2009 -
(Elisangela Bello )
Elisangela Bello

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