domingo, 2 de maio de 2010

Homossexuais do Irã fogem para a Turquia

O prédio de cor salmão já teve dias melhores. Pedaços de papelão, jornal e plástico cobrem a maior parte das janelas sem vidros, que não vale a pena substituir porque as crianças da vizinhança, que conhecem o local como "o prédio gay", iriam quebrá-los de novo.

O prédio de dois andares no bairro de Kayseri's Fez Kichak, na Turquia, tornou-se uma casa de passagem para homossexuais iranianos que fogem do tormento em sua terra natal e esperam conseguir viver no Ocidente.

O homossexualismo é punível com a morte no Irã e grupos de direitos humanos estimam que cerca de 4 mil gays foram executados desde a Revolução Islâmica, em 1979. A atmosfera se tornou mais tensa desde a chegada ao poder, cinco anos atrás, do presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, que afirmou, durante um discurso nos Estados Unidos, que não há homossexuais em seu país.
Farsad Farnam e condenado em 2007 com 80 chicotadas para a realização de uma festa para os homossexuais

Um memorando enviado aos departamentos do governo no ano passado pedia aos funcionários que se casassem ou deixassem seus cargos, uma medida vista como uma forma de se desfazerem dos homossexuais.

Alireza Naimian é um dos felizardos. Após 2 anos e meio na Turquia, ele conseguiu ser aceito por meio de um programa de reassentamento da Organização das Nações Unidas nos EUA. Em 2007, um grupo de paramilitares Basijis que perceberam seu cabelo comprido enquanto ele viajava de táxi, no norte do país, o detiveram, levaram-no para sua casa e brutalmente o estupraram. "Tudo o que eu queria de Deus era a morte, morrer e ficar livre deles", disse Naimian, de 42 anos.

Realidade 
Naimiam é um dos nove gays que vivem nos miseráveis apartamentos, que frequentemente mudam de mãos, na medida em que mais pessoas ficam sabendo do lugar pelo boca-a-boca.

Um pequeno número de gays e lésbicas deixou o Irã, a maioria através da vizinha Turquia, que não exige que os iranianos tenham visto para entrar no país. Atualmente, 92 homossexuais iranianos têm status de refugiados no país, segundo Saghi Ghahraman, diretor da Iranian Queer Organization, instituição sediada em Toronto que rastreia os homossexuais que deixam o Irã. Muitos são instalados pelo governo turco em Kayseri e em cidades próximas, onde eles formam uma comunidade precária, ofuscada pelo fluxo maior de milhares de iranianos que fogem da perseguição política.

Nesta conservadora região da Turquia, eles tentam não chamar a atenção, temendo hostilidade enquanto esperam ser transferidos para outro lugar. "Aqui, a polícia recomenda que fiquemos dentro de casa quando relatamos que somos alvo de violência", disse Roodabeh Parvaresh, uma lésbica de 32 anos, na Turquia há mais de dois.

Outra lésbica, Hengameh, que recusou-se a dar seu nome completo, contou ter sido espancada por dois turcos, logo após chegar ao país. Ainda assim, a Turquia oferece um escape para sua vidas no Irã, onde homossexuais podem enfrentar ameaças de todas as direções – do Estado, de colegas de trabalho ou agentes de segurança que tentam chantageá-los em troca de favores sexuais.

Além da lei, os homossexuais enfrentam profundas hostilidades de autoridades e de suas próprias famílias. Ghahraman, o ativista gay de Toronto, disse que "cada gay ou lésbica que eu conheço tentou pelo menos duas vezes cometer suicídio". (AE)


Muitos procuram cirurgia de mudança de sexo 
Dados recentemente publicados apenas sobre relatos psicológicos de recrutas do serviço militar compulsório ou de operações de mudança de sexo colocaram o número de homens gays em 200 mil no Irã, um país de 66 milhões de habitantes. A mudança de sexo é legal no Irã e muitos gays recorrem a ela como a única forma de viverem com seus parceiros e evitar as duras penalidades.

Pela lei islâmica iraniana, a punição para relações sexuais entre homens é a morte e entre duas mulheres é de 100 chibatadas nas três primeiras vezes em que forem descobertas e a morte na quarta ocasião. Nos últimos três anos, 12 menores foram sentenciados à morte por sodomia, um dos quais já foi executado, segundo grupos de direitos humanos. A localização de apenas quatro dos 11 restantes é conhecida.

Fonte: A Gazeta

Um comentário:

  1. A pessoa ja nasce homosexual, ela pode até casar e construir uma familia, mas a essência dela, será o desejo mais forte pelo mesmo sexo, e dificilmente será uma pessoa feliz no casamento. E quem não suporta, toma a atitude correta de se separar. Muitos homens jovens com medo de encarar o que são; forçam namorar e até casar, para ficar bem perante a familia e a sociedade. Eu tenho 45 anos, tenho desejo homosexual,não sou afemindado, quase ninguem desconfia de mim,já namorei muito,enquanto mais jovem,nunca casei e me sinto muito feliz, eu não seria um bom marido, talvez seria um bom pai, pois gosto muito de todos os meus sobrinhos.!

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