domingo, 6 de junho de 2010

Fazenda que era do traficante Pablo Escobar vira parque na Colômbia

Fazenda Nápoles é 22 vezes maior do que o parque do Ibirapuera, em SP.
Hipopótamos do local são considerados os únicos selvagens fora da África.


A luxuosa fazenda que pertencia ao traficante colombiano Pablo Escobar, morto pela Polícia em 1993, foi reformada e aberta ao público. Com um espaço 22 vezes maior do que o parque do Ibirapuera, em São Paulo, a fazenda Nápolis virou um parque temático, uma espécie de Disneylândia de Medellín, capital da Colômbia.
Localizada a 180 quilômetros de Medellín, a fazenda era considerada o símbolo máximo do poder do traficante. No auge da ostentação, Escobar montou no local com um conjunto de lagos projetados por ele mesmo, seis piscinas e um zoológico particular. "O zoológico era aberto ao público, com entrada grátis", lembra o administrador do parque, Oberdan de Jesús Martinez, que cresceu na região. "Havia camelos, elefantes, girafas, cangurus e hipopótamos", lembra Martinez.
A atração mais inusitada do parque montado pelo traficante são os quase 30 hipopótamos. Pablo Escobar mandou comprar, nos Estados Unidos, quatro animais em um zoológico e trouxe para a fazenda. Depois da compra, o império do traficante entrou em colapso. A fazenda foi abandonada e os hipopótamos foram se reproduzindo. Eles passaram a viver soltos na fazenda. São considerados os únicos hipopótamos selvagens fora da África.
Além dos hipopótamos, ainda existem outros animais soltos. Uma fêmea e sua cria foram vistas há pouco tempo, em uma cidade a duas horas de carro da fazenda. Quem paga o ingresso que equivale a R$ 22 pode, além de ver os animais, usar a piscina que foi de um primo e principal comparsa de Escobar. "A piscina estava abandonada, mas nós reformamos", conta Martínez.
Em outra parte do parque, chamada de jurássica, há uma réplica em tamanho real de um brontossauro.
Pablo Escobar, filho de um agricultor e de uma professora, ex-ladrão de cemitérios, era visto como um benfeitor nas favelas de Medellín, cidade de 4 milhões de habitantes, segunda maior da Colômbia. Ele erguia casas populares e construía campos de futebol.
Além da fazenda, um dos hobbies do traficante era colecionar carros antigos. A maioria está completamente queimada. Houve uma época de intensa guerra entre quadrilhas, e os inimigos de Escobar mandaram explodir a garagem em Medellín onde ele guardava sua valiosa coleção. Anos depois, os carros foram trazidos para o parque, no mesmo estado para fazer parte do acervo.
Ruínas
A casa principal que Pablo Escobar morou hoje está em ruínas. Os buracos na construção foram feitos depois da morte dele, por pessoas que procuravam dinheiro enterrado e jóias. Fornecedor de 80% da cocaína mundial, Pablo Escobar era implacável com os inimigos.
Na eleição de 1990, Escobar mandou assassinar três candidatos a presidente. Depois, explodiu um avião, para matar o futuro presidente, Cesar Gavíria. Mas Gavíria não embarcou. As 107 pessoas a bordo morreram. Escobar também mandou matar um ministro da Justiça e um procurador-geral. Ele explodiu redações de jornais, pôs abaixo um quarteirão inteiro em Bogotá e foi o principal suspeito de planejar a invasão terrorista da Suprema Corte, em 1985. No atentado, 89 pessoas morreram, 11 delas juízes.
Em 1991, o traficante se entregou, e foi levado para uma prisão de segurança máxima que mais parecia um hotel e que ele mesmo tinha mandado construir. O governo acabou invadindo o presídio, mas Escobar escapou. Viveu mais um ano na clandestinidade, até ser morto. Após sua morte, o estado tomou as propriedades do traficante. O parque fica hoje em terra pública, arrendada por uma empresa particular.
"Em nenhum momento queremos fazer o elogio do crime. Estamos mostrando que, no fim, o estado triunfou perante o terror de Escobar", explica o administrador Martínez.
Do G1, com informações do Fantástico

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