sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Masturbação: coisas que você talvez precise saber

Se masturbar significa proporcionar prazer ao corpo, em especial aos genitais, através do toque das mãos.

O QUE É A MASTURBAÇÃO?

A masturbação pode ser considerada uma das práticas sexuais mais comuns e esperada, em toda a sexualidade humana:

· na infância, em especial dos 3 aos 6 anos, ela é uma forma de descoberta das diferenças anatômicas entre meninos e meninas. É uma forma prazerosa de contato corporal, quer seja individual, quer seja entre duas crianças;
· na adolescência, além do apelo erótico biológico, ou seja, da necessidade orgânica (pela ação hormonal), garotos e garotas se masturbam para extravasar a tensão sexual, para o conhecimento do prazer corporal e de suas sensações;
· na idade adulta, a masturbação é uma, entre as possibilidades de práticas sexuais, quer individual, quer com parceiros(as), inclusive no casamento entre os casais. É uma forma de sexo seguro e, uma forma, também, de extravasamento das tensões sexuais da vida cotidiana;
· na terceira idade pode ser um reflexo da falta de sexo com parceiros, em especial para aquelas pessoas (homens e mulheres) que, erroneamente acreditam que a sexualidade acaba após a idade fértil (no caso da menopausa, para as mulheres; ou pela perda do vigor físico e juventude, no caso dos homens). Ou então, como uma possibilidade sexual entre os parceiros.
NÃO CAUSA MALES AO CRESCIMENTO?

Se masturbar, ou seja, estimular com as mãos e dedos os genitais a fim de proporcionar prazer e, até ao gozo, é um ato comum, esperado, previsto e bom, no desenvolvimento humano. Crianças se manipulam, adolescentes, adultos e pessoas na terceira idade. A masturbação é algo possível tanto para meninos como para meninas , para homens e mulheres.

Quando nos masturbamos, além de sentirmos sensação de prazer, aprendemos a conhecer nosso corpo, nossas sensações, as partes do corpo mais sensíveis.

Também conhecida como automanipulação, auto-estimulação ou auto-erotismo, a masturbação não faz mal a pessoa nem a sua saúde!!! As idéias que dizem que a masturbação causa males aos indivíduos (como esterilidade, impotência, crescimento de pêlos nas palmas das mãos, espinha no rosto e no corpo, ginecomastia - aumento dos seios nos rapazes, debilidade mental, verrugas, raquitismo, crescimento exagerado do pênis, diminuição do desejo sexual, ejaculação precoce), são todas mitos sexuais, ou seja, invenções de nossa cultura para reprimir essa prática prazerosa, uma vez que não leva à reprodução e causar, nas pessoas sentimento de culpa. Portanto, é esperado, é comum e é normal, que garotos e garotas toquem no próprio corpo e se proporcionem prazer.
 
QUANDO QUE SE MASTURBAR PODE SER RUIM?

Por uma questão lógica, posso até pensar que quem se masturba de modo compulsivo, pode acabar deixando de fazer outras coisas na vida que, são igualmente importantes, como, passear, namorar, trabalhar, sair com os amigos, ver televisão, ler. Enfim, sob este ponto de vista a masturbação excessiva pode ser ruim. 

Sob outro aspecto lógico, também poderíamos pensar que, ao se masturbar estamos liberando a tensão sexual acumulada. Da mesma forma que estamos, com isso, gastando o tesão que, para algumas pessoas poderia fazer falta na hora de transar com alguém, por exemplo. Quero dizer que, quando temos companheiro ou companheira para o sexo, é melhor evitar a masturbação quando sabemos, de antemão, por conhecer nossa característica física, que aquele tesão (liberado pela masturbação) fará falta. No entanto, nem todas as pessoas são assim; há homens e mulheres que apresentam um desejo sexual tão grande, ou que tem a facilidade de facilmente ficaram excitados que, o fato de se masturbar não fará a mínima diferença.

MASTURBAÇÃO E INFECÇÃO DO HIV/AIDS




Sou uma garota de 19 anos e sou virgem. Estou saindo com um ótimo rapaz, de quem gosto muito. Rapidamente adquirimos enorme intimidade emocional e sexual. No entanto, por ele ser muito mais velho e experiente do que eu, já tendo mantido relações com pessoas muito diferentes, tenho receio de que ele possa ser portador de alguma DST. Tenho vergonha de fazer essa pergunta a ele diretamente, porque também há a possibilidade de ele não saber se possui ou não alguma doença. Não estou pronta para o sexo com penetração e ele entende isso perfeitamente, mas o que eu gostaria mesmo de saber é: no ato da masturbação, existe risco de contágio por líquido seminal infectado em contato com as mãos?

É possível sim, que uma pessoa se infecte com algum microorganismo, através da masturbação mútua, desde que os fluídos sexuais estejam contaminados e haja possibilidade de absorção através do tecido dos genitais, ou de cortes e fissuras na pele da mão e dedos.

Você não deve ficar com vergonha ou receios de conversar com seu parceiro. Todas as pessoas deviam, regularmente, fazer exames para que a prática sexual fosse mais tranqüila e segura. Ninguém precisa ficar envergonhado de ter contraído uma doença ... veja que até mesmo é possível contrairmos infecções, herpes e simples micoses em banheiros públicos.

POR QUE PARA AS MULHERES A MASTURBAÇÃO É MAIS DIFÍCIL?

A masturbação, até pouco tempo, ela era considerada algo ruim e prejudicial. Hoje, pelo menos para os estudiosos da sexualidade humana, e para as pessoas mais esclarecidas e abertas, ela é uma prática:

· previsível e esperada na infância, na adolescência, na fase adulta e na terceira idade;
· é uma forma de meninos e meninas conhecerem o próprio corpo, é uma possibilidade de prática sexual, quer seja individual ou com parceiros;
· é uma forma de sexo seguro.
Talvez as pessoas (homens e mulheres) que não conseguem sentir prazer com a manipulação dos genitais, sejam pessoas que aprenderam que se masturbar á algo ruim, feio, sujo, pecaminoso. É tudo uma questão de significados negativos, que podem ser revistos e modificados ... para isso que fazemos Educação Sexual.

Para as mulheres, as questões ligadas a sexualidade, sempre foram mais difíceis. Primeiro, porque sempre se difundiu a idéia do sexo associado a impureza e ao pecado. Também foi ensinado para nós, na história e na cultura, que somente a imagem da mulher virtuosa e pura, teria o reconhecimento e o respeito social. Ela deveria ser virgem, dona de casa e praticar o sexo só no casamento e para reprodução. Sob este ponto de vista a masturbação seria inconcebível para as mulheres. Além do fato de que sempre se difundiu uma idéia de que o "homem teria mais necessidade de sexo do que a mulher" (talvez, por isso, que a masturbação é mais comum e esperada entre os meninos). Com isso, o conhecimento do corpo feminino, também, sempre foi negado, escondido, oculto. Lembro que os genitais masculinos são visíveis, fáceis de serem manipulados; enquanto que os genitais femininos, estão escondidos - muitas mulheres adultas tem dificuldades em identificar onde fica o clitóris, a vagina e a uretra.

Penso que as garotas precisam aprender a conhecer seu corpo ... suas sensações, e o prazer decorrente do fato de se tocarem. É fundamental que saibam, através do toque corporal, o que gostam e o que não gostam, para poderem dividir com seus futuros parceiros num relacionamento mais pleno e satisfatório.

MULHERES SE MASTURBAM COM OBJETOS?

Excito-me muito facilmente, basta ver um filme fico logo toda descontrolada. Masturbo-me com muita freqüência, chego mesmo a introduzir objetos na vagina. Será que isso não me fará mal mais tarde?

O princípio básico da masturbação é estimular os genitais e também partes do corpo (seios, braços, nádegas, ...) com as mãos e dedos. Algumas pessoas podem apertar, entre as pernas, almofadas ou travesseiros que farão o contato prazeroso com os genitais. Há garotas/mulheres que podem utilizar objetos para estimular os lábios vaginais, ou o clitóris ou, até mesmo o canal vaginal. Lembro da necessidade de cuidados relacionados com a higiene das mãos e desses objetos (que podem ser artigos eróticos, por exemplo). Lembro que ao introduzir objetos na vagina você deve ter o cuidado para não se machucar. Sugiro e recomendo que coloque a camisinha (preservativo) no objeto. Isso facilitará a penetração e auxiliará na higiene. Desta forma, não há como haver problemas mais tarde.

MASTURBAÇÃO E IDÉIAS RELIGIOSAS

Tenho 19 anos, já tive namorada mas nunca tive sexo com penetração, e não consigo fazer o que todos os rapazes fazem que é se masturbar. Sou de família evangélica e acho que isso sempre me influenciou por causa da proibição e pressão. Tenho quase certeza que não tenho problemas quanto a minha sexualidade, pois quando tenho sonhos eróticos acordo todo "melado", você me entende? Por enquanto é só, gostaria que me respondesse.

Seu corpo e sua mente estão respondendo aos seus desejos e estímulos eróticos. No sono, você se excita ... isso aumenta as taxas de hormônio e você ejacula. Isto é perfeitamente normal e sadio. Você está certo em se considerar “sem problemas quanto a sua sexualidade”.

Quanto a masturbação e a ensinamentos tradicionais, penso que os tempos atuais exigem uma nova postura de revisão e, quem sabe, de mudança de idéias e pontos de vista. Hoje em dia, praticamente todos/as os/as educadores/ras, médicas/os, sexólogos/as e estudiosas/os da sexualidade consideram a masturbação como uma pratica sexual normal e esperada na vida de crianças, jovens, adultos e idosos.

Penso que muitas religiões não possuem conhecimentos suficientes e atualizados para explicar o comportamento sexual humano, porque:

· não estudam a sexualidade cientificamente - apenas manifestam opiniões sobre o que acham que é o certo, correto e normal.
· procuram se manter fiéis aos seus dogmas - portanto, não mudam e sequer consideram que as sociedades e as pessoas estão em constante processo de mudança e re-significação de suas práticas sexuais;
· procuram ser fiéis as noções restritas de família, casamento e reprodução - afinal, toda estrutura religiosa se mantém viva dentro da idéia de “família”. Não é à toa que, entre os sacramentos religiosos estão o batismo, a crisma, o casamento. Na história religiosa a masturbação sempre foi ensinada como algo ruim, pois não levava a reprodução e também, não havia o interesse de que as pessoas se proporcionem prazer individualmente, fora do casamento. Somos ensinados, historicamente, a praticar o sexo no casamento.
MASTURBO-ME MAS NÃO GOZO

Por que não consigo gozar na masturbação já que fico ereto, tenho prazer e sinto a dorzinha?

Talvez você não esteja conseguindo um nível de erotização mental (de fantasias), suficientemente fortes para lhe provocar o gozo.
Talvez você precise aperfeiçoar o toque sobre seu pênis, procurando sensibilizá-lo mais - lubrificá-lo um pouco, pode ajudar, você pode utilizar a própria saliva ou qualquer creme hidratante a base de água.

Talvez você ainda não esteja produzindo hormônios sexuais (testosterona) suficientes, para o estímulo químico-biológico, que determina o gozo. Afinal, seus 12 anos mostram que você está iniciando a puberdade!! Nada de angústias - ainda há muito que aprender e, certamente, muita transformação acontecerá com você e com seu corpo.

Que tal aproveitar a experimentação, num dia desses qualquer, praticando um “cinco contra um” usando uma camisinha? SEXO SEGURO se aprende antes da prática com parceiros. PENSE NISSO!!!

MASTURBAÇÃO COM O DEDO TIRA A VIRGINDADE?

Sou garota e tenho 13 anos. Queria saber se  masturbando-se com o dedo, pode-se perder a virgindade.

Se você considerar que a perda da virgindade está relacionada com o fato de romper o hímen e, se você introduzir o dedo no canal vaginal, ou um objeto cilíndrico, durante a masturbação, dependendo do movimento e da grossura (do dedo e do objeto), seu hímen pode ser rompido.

O DEDO PODE LEVAR AO SANGRAMENTO DO HÍMEM?

Sou mulher e tenho 29 anos. Gostaria de saber se quando uma mulher introduz o dedo na vagina, sempre vai ocorrer sangramento? Estava me tocando e de repente senti um pouco de dor e saiu um pouco de sangue...

Uma garota pode sim, romper seu hímen, com a introdução do dedo ou de objetos, na vagina. O sangramento vai depender de cada garota e da situação. Lembre que mesmo transando com um homem, onde há a penetração do pênis, nem sempre as mulheres sangram na primeira transa. Da mesma forma que, nem sempre o hímen se rompe na primeira penetração. Há casos de hímens cujo tecido é tão resistente, que só haverá rompimento do tecido quando a mulher submete-se a um parto normal.

Portanto lembre, que há diferentes tipos de hímens e há também diferentes mulheres. Até o fato de estar bem excitada (e molhada) pode facilitar a penetração e evitar o corte do hímen, ou então, se o hímen se romper, o sangue pode se diluir no líquido vaginal, não sendo percebido e, dando a impressão de que a mulher não sangrou.

MASTURBAÇÃO E DOR NO ROMPIMENTO DO HÍMEN

Sou do sexo masculino e tenho 17 anos. Estou namorando ... minha namorada se diz virgem (ela tem 14 anos). Eu não acredito que uma garota que seja virgem, não sinta dor ou até mesmo incômodo com o ato da masturbação ao se inserir cerca de 9 cm do meu dedo em sua vagina. Pelo fato dela ser virgem isso causaria dor devido ao hímen, certo? Ou não?

É possível, sim, que uma garota introduza o dedo na vagina, sem que haja o rompimento do hímen e sem que ela sinta dor. Há muitos aspectos para que a garota esteja mais tranqüila e segura com a masturbação:

1. não esqueça que o dedo não é tão grosso quanto um pênis ereto;
2. não há risco dela engravidar;
3. como a transa não é com o pênis, não há a “perda” da virgindade – que para muitos só ocorre quando ocorre o ato sexual com penetração vaginal pelo pênis.
Com isso tudo, a garota fica mais relaxada. Não há tensão muscular e por isso não há dor. Pode ser até que, com o dedo, o hímen seja rompido. Mas se ela estive bem lubrificada e tranqüila, além dela não sentir dor, o sangue pode ser mínimo e se diluir nos fluídos sexuais, passando desapercebido.

MASTURBAÇÃO

Tenho 15 anos, e não posso ficar sem tocar uma bronha (punheta)! Às vezes acordo de manhã todo melado (acho que gozo no sonho). Até na aula eu fico de pau duro, e no intervalo vou ao banheiro para bater uma bronha e ejacular. Será que sou tarado? Sinto que se demorar pra tocar uma, começa doer o meu saco.

Você é um rapaz perfeitamente normal. Seus 15 anos mostram que você está em plena vitalidade física, com grande capacidade de erotização, tesão e energia sexual para ser extravasada na masturbação.

O que acontece com você durante a noite se chama polução noturna (polução = ejaculação). Você se excita, com sonhos que podem relembrar situações eróticas vividas durante o dia, e goza. Mesmo que não lembre do sonho pela manhã, você ejacula. Isso é esperado que ocorra com todos os garotos quando entram na puberdade. É um fenômeno universal e, anormal seria se não estivesse acontecendo.

Quando estamos com muito tesão, homens e mulheres, há uma contração da musculatura pélvica e dos genitais. É por isso que seu saco dói. O mesmo ocorre com as mulheres - quando estão com muito tesão é possível sentir dor no canal vaginal e clitóris.

A MASTURBAÇÃO PODE AFASTAR AS PESSOAS?

Sou uma mulher ... tenho 37 anos e prefiro me relacionar com mulheres. Sempre considerei a masturbação como algo feio e proibido. Mas mesmo assim tinha prazer, só que achava que não devia, que sexo devia ser praticado com outra pessoa. Atualmente estou sozinha, fazendo sexo via internet, o que considero uma masturbação. Minha dúvida é se com a masturbação posso passar a me esconder das pessoas e me acomodar, pois me passa o temor de não ficar com mais ninguém.

Certamente todas as pessoas, se pudessem, estariam vivendo um relacionamento afetivo e amoroso, com alguém. Isso não depende só de nós e, muitas vezes, passamos por fases da vida em que nos encontramos sozinhas. Nem por isso perdemos nossa sexualidade ... nem por isso, nossos desejos e vontades sexuais ficam adormecidos.

Quero dizer que sentir desejo sexual é próprio da natureza humana, até porque temos um corpo que responde a estímulos hormonais ... responde a estímulos visuais, sonoros ... responde a estímulos de nossa imaginação... é por essa razão (por ser a sexualidade uma natural e espontânea dimensão humana) que o toque manual no próprio corpo constitui-se num ato praticamente esperado, normal, universal e natural, tanto para homens como para mulheres.

A masturbação não deve ser vista como algo ruim. Ela é uma possibilidade de prática sexual que pode ser feita, inclusive, junto com parceiras/os.

Penso que se você se acomodar e evitar se relacionar com outra pessoa, o problema não estará na masturbação. Mas sim, na  dificuldade que você demonstra ter, em encarar um relacionamento real, com uma pessoa. Você deve procurar compreender os problemas que a levam preferir ficar em casa, distante do contato pessoal. Procure sair ... encontrar pessoas ... conhecer gente nova e fazer novas amizades. Não se imponha a obrigação de arrumar um "caso". A angústia é pior e acaba atrapalhando tudo. Dê tempo ao tempo e, enquanto isso, se você sentir necessidade, "mãos a obra" ... sem culpa.

MASTURBAÇÃO após os 50 ANOS

Até que ponto, para um homem com mais de 50, a masturbação pode prejudicar? Ela é inconveniente para certas idades?

A terceira idade é a etapa da vida humana que se inicia após os  60 - 65 anos. Nesta idade, a masturbação pode ser um reflexo da falta de sexo com parceiros, em especial para aquelas pessoas (homens e mulheres) que, erroneamente acreditam que a sexualidade acaba após a idade fértil (no caso da menopausa, para as mulheres, ou pela perda do vigor físico e juventude, no caso dos homens). Neste contexto, o que acaba fazendo mal, é a sensação de solidão,  falta de companheirismo e os significados negativos sobre a sexualidade, nesta idade, aprendidos durante a vida. Em si, a masturbação não faz mal. Talvez, sob o ponto de vista biológico, poderíamos até considerar, em alguns casos, condições físicas da pessoa, quanto as questões de ordem cardíaca e de capacidade respiratória, pois, afinal, na masturbação o orgasmo também significa um esforço físico orgânico.

Penso que as pessoas podem praticar sexo (independente da prática) até o fim de suas vidas e quando tiverem vontade – veja que no casamento, quando um dos membros do casal não está interessado em sexo, por que não o outro se masturbar? Muitos convivem muito bem com essa possibilidade, negociando, sem cobranças, os interesses individuais e de ambos.

A “inconveniência” não existe naturalmente. Nós é que a criamos.

MASTURBAÇÃO APÓS O ATO SEXUAL E NO CASAMENTO

Sou homem casado, 43 anos de idade, tenho 01 filho com 17 anos. Desde a idade de 10 anos que me masturbo diariamente. Mesmo após o casamento, tendo relações sexuais normais com minha esposa e após gozar tinha muito + prazer tocando punheta e sempre foi assim, entende? Gostaria de saber quais as seqüelas e ou males que a masturbação masculina pode ocasionar com o tempo, tanto para o organismo como, e principalmente, para a mente masculina?

Os males que a masturbação podem causar não estão nela, como uma prática sexual, mas sim, nos significados negativos que você pode dar a ela. Quero dizer que sob o ponto de vista orgânico, homens e mulheres podem se masturbar, desde que, é claro, procurem evitar usar objetos que possam machucar o corpo ou os genitais.

Geralmente, as pessoas que se impõem idéias ruins, acabam sentindo culpa ou remorso, o que leva a problemas de ordem emocional, uma vez que a masturbação em si, não causa disfunções orgânicas.

O único aspecto que poderia discutir é o fato das pessoas, a medida em que vão "envelhecendo", terem naturalmente mais dificuldade com o tesão e com a prática sexual com parceiros. Falo em função da esperada diminuição da libido, ao longo dos anos. Nestes casos, se masturbar poderia "gastar" o tesão ou diminuir o interesse sexual por parceiros. Neste exemplo, cada pessoa deve observar o que acontece e decidir como agir.

Para você, se masturbar após o ato sexual com sua mulher, pode significar que você consegue melhor tocar em seu pênis do que a penetração o faz. Assim, no tato, você sensibiliza mais o pênis, sentindo mais prazer. Esta situação também pode ser altamente excitante para você e, não vejo qualquer problema nisso.

MASTURBAÇÃO MÚTUA PODE LEVAR A GRAVIDEZ?

Tenho 18 anos e minha namorada 16, e optamos por ainda não transar. Mas quando podemos, eu a masturbo e ela me masturba. Dessa forma já ejaculei três vezes e queria saber se existe a possibilidade de ela engravidar, quando sujo minha mão de esperma e lavo meu pênis, e depois volto a masturbá-la. Será que mesmo passando sabonete na mão, para depois masturbá-la, existe o perigo da gravidez? O que posso fazer?

Para a garota engravidar seria necessário que, ela estivesse ovulando, ou seja, o ovário deve estar liberando um óvulo e, a quantidade de sêmen fosse o suficiente para a fertilização. No entanto, se você lava a mão, certamente, não há esperma para o contato. Além do mais, a pouca quantidade de esperma que, supostamente tivesse ali, teria que conseguir atravessar o canal vaginal, passar pelo útero e chegar no óvulo (nas trompas de falópio), sem a força de propulsão de uma ejaculação (o que tornaria o trajeto mais longo e difícil). Também, os gametas masculinos, teriam que sobreviver a acidez do canal vaginal.

Enfim, as chances de engravidar são muito pequenas, seria quase impossível. No entanto, sabe-se que há casos de garotas que engravidam quando a transa “ocorre nas coxas”, ou seja, o rapaz ejacula fora e, a pouca quantidade de sêmen em contato com a vagina, é capaz de proporcionar uma gravidez.

O ideal é evitar o contato do sêmen e praticar o sexo seguro. Por que vocês não experimentam a masturbação com camisinha?


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( Fonte: www.jimena.net - Autora do artigo Profª Jimena Furlani - Bibliografia: “de acordo com a NBR 6023 - ago/2000”, disponível no site da autora, acessado em 17/12/2007)


Quem é Profª Jimena Furlani?

· Graduação: Bacharelado em Ciências Biológicas – UFSC, 1988, Licenciatura em Ciências Biológicas – UFSC, 1992
· Pós-graduação: Mestrado – Mestrado em Educação - Título: O processo de formação do professor de biologia da UFSC: uma contribuição a reflexão - Título obtido: Mestre em Educação - Ano de obtenção do título: 1993
· Doutoranda na  UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Linha de Pesquisa: Educação e Relações de Gênero - Orientadora: Profa. Dra. Guacira Lopes Louro

Experiência Profissional

· Professora no Curso de Pedagogia, no Centro de Ciências da Educação (FAED) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
· Professora no Curso de Especialização em Educação Sexual - FAED/UDESC
· Professora Orientadora de Projetos de Pesquisa e Monografias no Curso de Especialização em Educação Sexual - FAED/UDESC. 
· Membro e Coordenadora do NES - Núcleo de Estudos da Sexualidade – NES/FAED/UDESC.
· Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana - SBRASH.
· Coordenadora do Projeto de Pesquisa – “Um estudo da sexualidade adolescente e adulta, através do trabalho em  Educação Sexual na Internet, nos sites www.jimena.net e www.zip.net/sexualidade"
· Orientadora de Acadêmica Bolsista de Iniciação Científica – CNPq
· Membro da Linha de Pesquisa, credenciada junto ao CNPq, a partir de 2000 – “Sexualidade, família, gênero e educação”
· Coordenadora de Projeto de Extensão – “Assessoria e capacitação de educadores/as, junto as escolas e instituições educacionais, visando a compreensão da sexualidade humana e o trabalho de educação sexual com crianças e adolescentes” .

O prazer em suas mãos
De pecado mortal e praga anti-social, nos últimos50 anos, a masturbação passou a ser aceita como uma prática natural e saudável. Por que, então, ainda somos cheios de dedos para tocar no assunto?
por Marcos Nogueira
Hora do recreio. Em um canto do pátio, três meninos de 11 anos tentam se esquivar dos olhares dos outros. Eles riem, cochicham e não percebem a aproximação de um garoto nos seus 15 anos. Flagradas, as crianças ruborizam. Escondem precariamente o motivo da reunião secreta, uma revista de mulheres nuas. O rapaz mais velho percebe o constrangimento. Escondendo o sorriso, assume um ar paternal e diz ao trio:
– Vocês sabiam que isso dá pêlo na palma da mão?

Os três meninos se entreolham e trocam risadas nervosas até que um deles, quase sem perceber, fixa o olhar na palma da mão direita. Era a deixa de que os outros precisavam. Sob a liderança do adolescente, começa um espetáculo de humilhação pública do jovem masturbador. Ele não tem nada a fazer senão engolir as gargalhadas de toda a escola e torcer – em vão – para que no dia seguinte os colegas já tenham apagado o episódio da memória. Até ingressar na faculdade, o garoto será conhecido pelo apelido “Mãozinha”.

A cena acima é fictícia e exagerada, mas não impossível. Os mitos sobre a masturbação estão enfraquecidos, porém ainda não caíram. Até o século 19, a lenda da mão cabeluda tinha o aval da comunidade médica. E esse era um dos “efeito colaterais” mais brandos que se atribuíam ao sexo solitário. A lista de doenças masturbatórias era imensa: tuberculose, loucura, cegueira, anemia, envelhecimento precoce, calvície e epilepsia são apenas algumas delas. A invalidez e a morte eram o destino de quem ousasse tocar a si próprio.

Culpe Onã. Na narrativa bíblica, o personagem é fulminado por Deus como castigo pelo delito de “derramar a semente no chão”. O texto não diz se Onã era um masturbador ou não (seu pecado mais provável foi o coito interrompido), mas a parábola é clara: sexo deve servir só para procriação. E não há prática sexual menos procriativa que a masturbação. Eis por que Onã, o anti-herói do Gênesis, se tornou substantivo comum – onanismo e onanista ainda são termos usados para designar, respectivamente, a masturbação e o masturbador. Pode olhar no Aurélio.

O mito de Onã reflete a conduta dos judeus de 4 mil anos atrás. Ocorre que, no que se refere à sexualidade, elas mudaram relativamente pouco até o 17º século da era cristã – não é por acaso que se fala tanto na tal moral judaico-cristã. Foi somente no século 18 que o pensamento religioso começou a ser substituído por uma visão de mundo mais racional e científica. Seria de se intuir que essa guinada aliviasse a barra dos masturbadores. Mas não foi bem assim.

Na opinião do historiador americano Thomas Laqueur, da Universidade da Califórnia em Berkeley, aconteceu justamente o oposto. Segundo ele, o monstro da culpa nasceu na modernidade. “É uma criatura do Iluminismo”, escreve Laqueur no livro Solitary Sex – A Cultural History of Masturbation (“Sexo Solitário – Uma História Cultural da Masturbação”, inédito no Brasil). Com a religião de fora, já não bastava uma ordem divina para reprimir um ato socialmente abominável como a masturbação. Então, diz o historiador, surgem os pêlos na mão e toda sorte de justificativas pseudocientíficas para condenar o hábito. A tolerância só viria no século 20, com o surgimento da psicanálise. Com a revolução de costumes dos anos 50 e 60, a masturbação começaria a ser aceita.

Atualmente, nenhum cientista sério acredita que a masturbação possa causar doenças. O monstro de antigamente agora é tratado como uma coisa natural, algo indispensável para o desenvolvimento da personalidade. Virtualmente toda a humanidade já se masturbou em algum momento da vida, mesmo que alguns nem se lembrem disso (exames de ultra-som mostraram fetos estimulando os genitais dentro do útero materno). Se todo mundo faz, por que a masturbação ainda é motivo de angústia, culpa e censura social?

A GÊNESE DO PECADO
A masturbação sempre foi um assunto incômodo, em maior ou menor grau, desde que os humanos começaram a se organizar socialmente – em especial a masturbação masculina. A mulher, até três séculos atrás, detinha um status muito pouco abonador. Se fora gerada a partir de uma costela de Adão, a fêmea era uma cópia malfeita do macho. Supunha-se que o esperma guardasse tudo de que se precisava para gerar uma pessoa. Em uma comparação com o mundo vegetal, o esperma seria a semente – daí a palavra “sêmen” – e à mulher restaria o papel de vaso. Não bastasse, havia a crença de que o sêmen era esgotável. Portanto, é compreensível que o costume de ejacular ao vento já tenha nascido com péssima reputação. Já os hábitos solitários das mulheres gozavam de pouca ou nenhuma atenção da sociedade.

Esse contexto nos remete de volta a Onã. O episódio é narrado no Gênesis, o primeiro livro do Velho Testamento. Er, irmão mais velho de Onã, é eliminado por Deus em circunstâncias não explicadas. Cabe a Onã, então, a missão de gerar um descendente de seu irmão. Mas quando está com Tamar, viúva de Er, Onã opta por derramar o sêmen na terra. Pronto: mais uma vítima fatal da ira divina.

Se Onã se masturbou ou não é irrelevante. Seu crime foi ameaçar uma linhagem que geraria Davi, Salomão e, mais adiante, Jesus (a mancada seria remediada por Judá, pai de Onã, que se encarregou de engravidar Tamar). “O grande pecado da masturbação é o fato de ela ir na contramão da reprodução”, afirma a psiquiatra Carmita Abdo, da Universidade de São Paulo. “Por isso, não existe nenhum grupo social que a encoraje.” Entre os antigos hebreus, qualquer modalidade sexual que não resultasse em filhos era condenada. De acordo com Laqueur, no hebraico antigo, nem sequer existia palavra para designar o sexo solitário. Tocar a própria genitália era vedado aos homens até na hora de urinar. “Na tradição judaica, o pênis já nasce impuro. Tanto que é preciso tirar um pedaço dele na circuncisão”, afirma o médico e escritor Moacyr Scliar, que prepara um romance chamado O Irmão de Onã. “A rejeição da masturbação é um traço da cultura judaica e, por conseqüência, também da cristã”, diz.

Qual não foi o escândalo entre os judeus quando a Palestina foi invadida por povos helênicos, de notória permissividade sexual. “Um dos motivos de os judeus terem resistido tão fervorosamente à ocupação grega no século 3 a.C. foi o fato de os invasores serem adeptos de práticas como o homossexualismo”, diz Scliar. A masturbação, na sociedade helênica, não era propriamente condenada. Mas seus praticantes eram alvo de chacota na aristocracia. “Um cavalheiro não devia precisar se masturbar, dadas as alternativas sexuais que ele tinha à mão: escravos, prostitutas, mulheres de classes inferiores”, diz Laqueur. Masturbar-se era coisa de pastores de ovelhas, de escravos, de gente sem acesso a parceiros sexuais. O masturbador era digno de piedade e de riso.

Em Roma, a questão era vista mais ou menos da mesma maneira – a última forma de sexo a que se deveria recorrer. Pelo menos até a ascensão do catolicismo. A Igreja, cujos valores nortearam a sociedade ocidental por toda a Idade Média, classificou a masturbação como pecado mortal. Mas era apenas um pecado a mais em um universo em que qualquer tipo de prazer era proibido. Para alguns, não ficava de fora da lista negra nem o sexo marital com a finalidade única de procriação. “Sempre ocorre com excitação e prazer, que não existem sem pecado”, escreveu no século 12 o teólogo Huguccio.

Assim, na escala de premência dos guardiães da castidade, a masturbação ficava aquém de uma infinidade de delitos: adultério, sodomia, incesto, fornicação... Além do mais, não convinha ao clero usar a mão de ferro na repressão ao sexo solitário – embora não fosse admitido abertamente, ele era uma válvula de escape da tensão sexual que pairava nos corredores dos mosteiros. Ironicamente, a reputação de “vício dos padres” foi um dos argumentos usados pela patrulha antimasturbatória que surgiria no século 18.

SURGE A DOENÇA
Nos cafés de Londres, por volta de 1710, podia-se comprar vários folhetos sobre doenças. Tais publicações eram pretexto para veicular anúncios de tônicos e elixires elaborados por charlatães que faturavam alto em cima da ignorância alheia. Uma brochura anônima sobre um doença inédita destacou-se das demais: Onania ou o Pecado Infame da Desonra de Si Mesmo e Suas Terríveis Conseqüências para Ambos os Sexos, com Conselhos Morais e Físicos Endereçados Àqueles Que Já Sofreram os Prejuízos Desse Hábito Abominável. O impacto dessa obra seria tão grande quanto o título.

Onania – que garantiu ao pobre Onã uma indesejável notoriedade – desvelava os supostos malefícios do “vício secreto”, que até então havia sido ignorado. A Igreja já não apitava tanto na vida das pessoas, o que permitiu que asexualidade se manifestasse mais abertamente. A pornografia ganhara espaço nas artes, como se percebe nos quadros que ilustram esta reportagem. Mulheres conquistaram uma importância social maior. E, sim, elas se masturbavam. Onania captou tais mudanças e tratou a masturbação feminina com o mesmo tom condenatório antes só dirigido aos rapazes. Um de seus episódios narra a história de duas freiras que, de tanto se masturbarem, desenvolveram clitóris do tamanho de pênis masculinos.

Para uma época sem rádio, TV ou internet, Onania foi um sucesso editorial espetacular. Começou com 2 mil cópias pagas pelo autor – que, segundo o historiador Thomas Laqueur, era um pornógrafo chamado John Marten – e, em meio século, teve 24 edições em toda a Europa. Aquele punhado de teorias preconceituosas arrebatou o suíço Samuel Tissot, que em 1760 publicou L’Onanisme (“O Onanismo”), fenômeno ainda maior de vendas: 35 edições em francês e 61 em outras línguas. De novo, lia-se uma sucessão de contos sobre gente que caíra em desgraça física e moral devido à masturbação. Mas, agora, quem escrevia era um dos doutores mais respeitados do continente europeu, primeiro-médico do rei da Inglaterra e amigo de figurinhas como o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau – que, por sinal, agradeceu ao companheiro pelo alerta sobre os riscos do vício que o acometia.

Vale lembrar que, na época, a medicina apenas começava a se desviar de teorias formuladas na Antiguidade clássica. A curiosidade setecentista era imensa, só que empacava na precariedade do conhecimento biológico. O microscópio acabara de ser inventado, mas ainda não se descobrira grande utilidade para ele. A palavra “bactéria” simplesmente não existia. “Se alguém que se masturbava pegasse uma tuberculose, o mal era associado à masturbação”, afirma Moacyr Scliar. “Havia a idéia de que a emissão de esperma exauria o indivíduo.”

No que tocava às mulheres, a masturbação era tratada de forma ambígua. Havia a execração do hábito, considerado uma afronta à ordem sexual estabelecida. Curiosamente, porém, a estimulação genital era largamente praticada por médicos para o tratamento daquilo que se chamava de histeria – as oscilações de humor provocadas por insatisfação sexual. “Quando, afinal, a mulher tinha um orgasmo, ele era encarado como uma crise histérica”, diz a psiquiatra Carmita Abdo. Tal procedimento médico foi a semente da indústria de brinquedos masturbatórios destinados ao público feminino. “No começo do século 20, houve um boom de aparelhos destinados a poupar os médicos do tédio de massagear a genitália de mulheres histéricas: vibradores elétricos, máquinas hidroterápicas, tudo vendido nos catálogos das lojas de departamento”, afirma Laqueur.

As teorias médicas disparatadas eram o sustentáculo da condenação moral. Mas por que a masturbação foi alvo de uma artilharia tão pesada justamente no chamado Século das Luzes? Na opinião de Laqueur, porque representa o lado negro da autonomia tão enaltecida pelos intelectuais de então. O pensamento iluminista valorizava o indivíduo, desde que este fosse uma engrenagem da máquina social. Na masturbação, o indivíduo se isola, não produz nada de útil para os outros, não está sujeito ao controle da sociedade. Para o filósofo alemão Immanuel Kant, masturbar-se era “abraçar a animalidade nua”. Essa visão prevaleceria até a virada do século 20.

FREUD EXPLICA?
A lenta demolição dos mitos sobre a masturbação começou com a descoberta das causas verdadeiras de doenças atribuídas ao tal onanismo. No início do século 20, já eram poucos os médicos que levavam a sério as fábulas de terror propaladas por Samuel Tissot. O problema persistia, mas agora se instalava na mente do masturbador. Nessa época, causavam furor as idéias de um médico austríaco chamado Sigmund Freud.

Para Freud, não havia nada de anormal na masturbação. Bem, desde que ela fosse praticada durante a infância. “No contexto da época, isso era revolucionário”, afirma a psiquiatra Carmita. O pai da psicanálise julgava que o amadurecimento sexual envolvia necessariamente o abandono da masturbação em favor do sexo a dois. O adulto que insistisse no ato era imaturo e padecia da culpa gerada pelo comportamento inadequado. A teoria freudiana chegou a traçar um quadro particularmente infeliz para as mulheres. Ao atingir a idade adulta, elas deveriam transferir seu centro de prazer do clitóris – um órgão erétil, uma referência masculina – para a vagina, onde residiria a verdadeirasexualidade feminina. Assim, uma mulher que se masturbasse com estimulação clitoridiana não somente seria imatura: teria problemas de identidade sexual.

Apesar dos pesares, a visão de Freud foi um avanço e tanto. “A amplitude da interpretação freudiana abriu avenidas largas de política sexual”, escreve Laqueur. De acordo com o autor, essas avenidas foram niveladas no fim dos anos 40 e início dos 50 com os relatórios do biólogo Alfred Kinsey – um sobre o homem, outro sobre a mulher – e asfaltadas em 1966, ano do lançamento de A Resposta Sexual Humana (esgotado no Brasil), de William Masters e Virginia Johnson. Esses estudos traçaram perfis inéditos da população americana. Obviamente não se restringiam à masturbação, mas deram uma mãozinha para reabilitar o sexo solitário. Kinsey observou que a masturbação era um hábito comum – em especial entre as mulheres. Masters e Johnson sustentavam que o prazer feminino poderia ser amplificado se elas incorporassem a masturbação às relações heterossexuais. Estava inaugurada a era do vale-tudo. Ou quase.

MITO DURO DE MATAR
No momento em que esta reportagem é escrita, a página de web dos New York Jacks, clube virtual de gays masturbadores, contabiliza 1 703 881 visitas. Outro site, dedicado a homens heterossexuais, adverte: “Não introduza seu pênis no aspirador de pó – ele pode ficar entalado”. Menções à masturbação estão no cinema e na TV. Vibradores de todos os formatos e tamanhos são vendidos em sex shops cada vez mais parecidas com assépticas lojas de CDs. Cartazes de publicidade mostram mulheres em posições que insinuam o ato. Mais que uma prática inofensiva e saudável, a masturbação se tornou no século 21 um produto da indústria de bens de consumo. Mas será que a masturbação não oferece nenhum risco?

Aí surgem divergências. Laqueur diz que o uso do auto-erotismo como expressão da individualidade é legítimo e saudável. Carmita Abdo, da USP, afirma que a apologia da masturbação como uma sexualidade alternativa pode levar ao isolamento dos indivíduos. Do ponto de vista clínico, é consenso que o “sexo manual” não faz mal a ninguém. “É recomendado para todas as idades”, diz Moacyr. Para a saúde mental, no entanto, há quem veja situações de risco: “Se alguém se masturba porque não consegue parceiros e isso a incomoda, deve procurar ajuda”, diz Carmita.

Segundo ela, há casos em que o hábito realmente se transforma em um vício: o comportamento compulsivo faz com que a pessoa não se interesse pela procura de sexo a dois. “A masturbação não é a causa do problema, mas continuar a praticá-la não ajuda em nada”, diz a psiquiatra. Masturbar-se também é sinal de problemas se interferir na vida dos outros. É o que ocorre, por exemplo, quando alguém o faz em lugares públicos – quem nunca ouviu histórias sobre o infame “tarado do ônibus”?
Mas isso é exceção. A repressão da masturbação costuma causar mais transtornos que o ato em si, especialmente em crianças. O sexo solitário é a descoberta do próprio corpo, uma preparação para encarar a rotina sexual do futuro. Na visão de Carmita, a censura à masturbação é mais desvantajosa para as meninas. “Garotos encaram a questão com muito mais naturalidade, pois estão acostumados a tocar o pênis desde muito pequenos, mesmo que seja para urinar. As garotas só têm esse contato mais íntimo quando menstruam. Se lhes ensinarem que esse toque é sujo, isso poderá comprometer sua vida sexual.”

O.k., sabemos que a masturbação é uma coisa natural e, mais que isso, recomendável. Mas a página do Vaticano na internet insiste em chamá-la de uma “desordem grave, ilícita em si mesma” – uma versão light do pensamento medieval católico. Crianças que se masturbam continuam a ser alvo de piadas dos colegas e, não raro, a ser aterrorizadas pelos próprios pais. A historinha da mão peluda sobrevive. Por que os preconceitos ainda não caíram? O palpite de Carmita Abdo é um tanto lacônico: “Eles estão caindo, mas removê-los da memória das pessoas é um processo demorado”. Dois ou três séculos são quase nada quando se trata de demolir um mito bem construído.


Para saber mais

Na livraria:
Solitary Sex – A Cultural History of Masturbation, Thomas W. Laqueur, Zone Books, EUA, 2003
Elogio da Masturbação, Philippe Brenot, Rosa dos Tempos, 1997
Onanism, Samuel Tissot, Garland Pub, EUA, 1985
Human Sexual Response, William Masters e Virginia Johnson, Bantam, EUA, 1981
Na internet:
Site do Projeto Sexualidade da Universidade de São Paulo, www.portaldasexualidade.com.br

10 comentários:

  1. Achei este artigo maravilhoso, tirei muitas dúvidas...
    Muito obrigado!!!!

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  2. Ola tudo bem?
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  4. Ba que maravilha esse conteudo

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  5. Achei otimo esse site tirei muitas duvidas adOoreiii

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  6. Estou levemente excitada...qero uma pica grossa pra eu chupar!~

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    1. Vem cá, afundo meu cacete até sua garganta :D

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    2. Aqui delicia eu tou doido pra te come.

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  7. quer ver a mainha
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  8. gostei muito das respostas ....me esclareceu muitas duvidas

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