segunda-feira, 30 de abril de 2012

Anabolizantes fizeram corpo de jovem alemão explodir


Anabolizantes fizeram corpo de jovem alemão explodir; veja fotos

O jovem de 21 anos quando considerava que estava no "ideal" de sua forma física (Foto: Divulgação )

O rapaz quando procurou a ajuda médica. Forma severa de acne causou feridas na pele que "explodiram" e ficaram infeccionadas (Foto: Divulgação)


Depois que o uso dos anabolizantes foi interrompido e com a ajuda de antibióticos, as feridas se fecharam. As marcas devem permanecer para sempre. (Foto: Divulgação)

Pele de jovem abre por causa de uso contínuo de anabolizantes 

Um alemão de 21 anos tomou anabolizantes ao ponto de fazer a pele explodir. Por causa do uso intenso das substâncias enantato de testosterona e a metandienona o jovem desenvolveu um tipo severo de acne que gerou feridas profundas no peito, tórax e costas.

Ele também sofria com febre, encolhimento de testículos e redução na concentração de espermatozóides. O rapaz parou o uso de anabolizantes e, com a ajuda de antibióticos, os sintomas sumiram, porém as cicatrizes das feridas permaneceram. A revista especializada "The Lancet" publicou o caso, apresentado pela equipe que atendeu o jovem, do departamento de dermatologia da Universidade Heinrich-Heine, em Dusseldorf, na Alemanha. O caso do jovem alemão que acabou com o peito e as costas desfigurados por cicatrizes pelo uso de anabolizantes chamou a atenção nesta semana e fez muitos usuários dessas substâncias duvidarem da história. Ouvido pelo G1, no entanto, o médico esportivo Renato Romani alerta: o problema do rapaz não só é comum, como é a menor das conseqüências do uso de esteróides. A prática, ele alerta, pode levar a transtornos psiquiátricos, à feminização do homem e ao câncer de fígado e de testículos. "Quem afirma que usar anabolizante é seguro no esporte é uma pessoa desatualizada, sem acesso às informações científicas e que corre um sério risco", alerta Romani. Para o especialista da Escola de Medicina da Universidade Federal de São Paulo(Unifesp), essa "ilusão" à respeito da segurança do uso de esteróides vêm de dois problemas. O primeiro é a proliferação de sites e livros que alegam que não há perigo na prática. "Essas publicação não têm base nenhuma na ciência", diz ele. O outro problema é que algumas pessoas que tomam anabolizantes não relacionam os problemas de saúde que apresentam. "O Arnold Schwarzenegger teve que fazer uma cirurgia para trocar uma válvula do coração e isso certamente está ligado ao uso de esteróides. Mas ninguém relacionou as duas coisas", explica o médico.

Como funciona

Os anabolizantes funcionam todos basicamente da mesma maneira: ao aumentar a quantidade do hormônio masculino, a testosterona, no organismo. Aumentar muito. A testosterona, por sua vez, induz as células a aumentar o seu volume -? é isso que causa o "crescimento" dos músculos. E "animaliza" o homem. "Quem toma fica mais ?primata?; mais violento e agressivo. O que vai aumentar sua vontade de fazer exercícios físicos e potencializar ainda mais o efeito", diz Romani. O resultado é um "fertilizante" da prática esportiva. O corpo que seria obtido com três anos de treinamento é conseguido em apenas seis meses. "Para um jovem de 25 anos, significa que ele precisa esperar apenas um ano por um resultado que só chegaria quando ele batesse os 30," explica o médico.


Tudo muito lindo, não fossem os perigos. Câncer e feminização

Com o aumento do volume celular, o fígado fica sobrecarregado ?- o que pode causar problemas hepáticos e aumentar o risco de tumores. O uso exagerado do hormônio também causa perda de cabelo e casos de acne (que foi o que ocorreu com o rapaz alemão; uma forma severa da doença causou as feridas que o marcaram). Há também problemas de fertilidade: como há testosterona demais circulando, o corpo entende que tem espermatozóides suficientes e fecha a fábrica. O resultado é infertilidade. Em muitos casos, irreversível. E o aumento do risco de câncer de testículos.

O problema que mais chama a atenção, no entanto, é causado pelo delicado equilíbrio entre o hormônio masculino e o feminino. Quando a pessoa toma testosterona extra, o organismo aumenta a produção do estrogênio, o hormônio feminino. Isso causa o surgimento de características de mulheres no corpo masculino: como mamas que até podem produzir leite. A droga também afeta o cérebro. Há casos de homens que tomam anabolizantes como droga recreativa e de outros que ficaram com distúrbios de imagem. Da mesma maneira que uma menina com anorexia não consegue "ver" que está magra, o rapaz não consegue ver que está grande. "Ele se olha no espelho e se acha sempre pequeno, sempre acha que pode crescer um pouco mais", explica Romani.

Segurança

O especialista explica que os esteróides são usados em quantidades mínimas na medicina apenas para pessoas que sofreram perda muscular extrema e que precisam se recuperar, sempre acompanhado de exercício físico. "Na medicina, se usa uma dose "x" em pessoas extremamente debilitadas. Daí veio alguém um dia e decidiu usar uma dose cem vezes "x" em pessoas saudáveis. Dá para imaginar que alguém que faz isso não é lá muito esperto", afirma o médico. Para quem quer ganhar músculos, a única opção é se exercitar e se aceitar. "É genética. Algumas pessoas vão ser grandes, outras vão ser magras. Algumas têm facilidade para ganhar músculos, outras vão precisar se exercitar muito mais e embora fiquem em forma jamais ficarão do tamanho de um armário", diz Romani. Quem duvida do resultado do esporte só precisava ficar de olho nas Olimpíadas. ?Os Jogos Olímpicos realizaram centenas de testes antidoping e mostraram que é possível sim chegar a resultados fantásticos sem a ajuda e os riscos dos anabolizantes."E para quem anda falando por aí que conhece "várias pessoas" que tomam esteróides e nunca tiveram problemas, o médico deixa o recado. "Há pessoas que cheiram cocaína e nunca se viciam. Há pessoa que fazem sexo desprotegido e não pegam Aids. Isso não significa que cocaína e sexo sem proteção são seguros", explica. "Remédio seguro não causa problema nenhum em ninguém nunca. Com a quantidade de câncer, infertilidade e transtornos psiquiátricos que vemos, dizer que os anabolizantes são seguros é irresponsabilidade", diz ele.

Fontes: A Gazeta, clicabrasilia.com.br e globo.com

A utilização dos Esteróides Anabolizantes (EA) vem ocorrendo com freqüência cada vez maior

A utilização dos Esteróides Anabolizantes (EA) vem ocorrendo com freqüência cada vez maior. Seu uso indiscriminado, visando aprimoramento estético e de performance, tem aumentado a incidência de seus efeitos colaterais. Por serem usados sem supervisão médica, fora de suas indicações iniciais e, na maioria das vezes por indivíduos que buscam resultados imediatos, esses efeitos indesejados têm sido freqüentemente relatados por seus usuários. Até mesmo na literatura médica, por razões éticas, não existem publicações de pesquisas direcionadas ao emprego dos EA com essa finalidade. Com isso, as doses que são utilizadas não têm um embasamento científico. Os EA provocam aumento da síntese de proteína e são antagonistas dos glicocorticóides (substâncias que tem efeito catabólico e tem sua produção aumentada após treinamentos intensos). Esse efeito já é o suficiente para um incremento da massa muscular (massa magra) e conseqüente melhoria estética. Além disso, possuem efeito sobre o SNC (euforia, recuperação mais rápida dos desgastes de treinamentos e diminuição da fadiga) e na produção de hemáceas (aumentam a taxa de hemoglobina e conseqüentemente o transporte de oxigênio).

Ao não se preocuparem com seus efeitos deletérios os usuários mais afoitos chegam a fazer uso de drogas que tem emprego na veterinária. Isso contribui para que os efeitos adversos dos EA apareçam mais rapidamente, como:

Elevação das enzimas hepáticas, hepatite química, icterícia e propensão aumentada ao desenvolvimento do hepatocarcinoma. Aumento dos níveis de colesterol sanguíneo, principalmente às custas de LDL ("colesterol ruim"), que está mais relacionado à formação de placas de gordura nas paredes arteriais e conseqüente obstrução. O HDL ("colesterol bom") tem diminuição de seus níveis. Esses efeitos começam a aparecer em uma semana e podem levar cerca de um ano após a sua interrupção para se normalizarem. Hipertensão arterial, Infarto Agudo do Miocárdio e Morte Súbita também tem sido descritos como conseqüentes ao emprego de EA.

Sintomas psiquiátricos como paranóia, delírio, manias e tendência homicida são observados. Comparando-se fisiculturistas que não usam EA com os que usam, estudos detectaram maior incidência de depressão, ansiedade, hostilidade, paranóia e agressividade no segundo grupo. Aqueles indivíduos que já apresentam tendência a distúrbios psiquiátricos têm sua incidência aumentada ao utilizarem EA. Por produzirem dependência, a interrupção de seu uso causa desordens emocionais já que o indivíduo considera-se "menos forte" ou com performance mais fraca. No sistema reprodutor ocorre: Atrofia testicular, diminuição do número de espermatozóides e alteração de seu formato. Pode ocorrer aumento do tecido mamário nos homens e atrofia deste nas mulheres. Aumento da incidência de câncer testicular foi relatado em alguns casos. Nas mulheres, observa-se também, crescimento de pelos, acne, alteração de voz, hipertrofia de mama e até calvície.

Com a realização de testes anti-doping com maior freqüência, principalmente próximo a Jogos importantes, espera-se que os atletas de alto nível aumentem sua preocupação quanto à utilização dos EA. Já aqueles jovens praticantes não competitivos, que buscam apenas aprimoramento estético e submetem-se às orientações de "pseudo-profissionais", devem ser alertados de forma mais consistente e rígida. Só o tempo nos dirá a dimensão desse grave problema.

Praticantes de musculação injetam doses cavalares de testosterona sintética sem acreditar nos riscos à saúde


Anabolizantes: bombas-relógio nos músculos

Para conseguir um corpo musculoso, é preciso treinar intensamente durante pelo menos um ano. Os anabolizantes aceleram, de forma perigosa, esse processo, produzindo resultados semelhantes em apenas dois meses.

Epidemia silenciosa. É assim que se classifica nos Estados Unidos o uso crescente de anabolizantes artificiais com fins estéticos. Pesquisas recentes mostram que 7% dos estudantes colegiais americanos já foram ou são usuários de anabolizantes e que 9% dos que freqüentam academia os consomem regularmente. É a droga mais encontrada nos exames antidopping feitos pelo Comitê Olímpico Internacional. No Brasil, embora não tenham sido feitos levantamentos capazes de quantificar o uso dos esteróides anabólicos, pode-se afirmar que o consumo cresce assustadoramente entre a população jovem. E isso acontece sem o menor controle das autoridades da saúde, porque não há no país uma regulamentação destinada a normatizar a venda desses medicamentos. Grande parte dos produtos anabolizantes consumidos internamente vem do exterior e é comercializada no mercado negro.

Desenvolvidos na década de 1950, os anabolizantes ou esteróides anabólicos são produzidos a partir do hormônio masculino testosterona, potencializando sua função anabólica, responsável pelo desenvolvimento muscular, e reduzindo o efeito androgênico, que responde pelas características masculinas, como timbre de voz, pêlos do corpo, crescimento de testículos. Quando administrada no organismo, essa substância entra em contato com as células do tecido muscular e age aumentando o tamanho dos músculos. Em doses altas, os anabolizantes aumentam o metabolismo basal, o número de hemácias e a capacidade respiratória. Essas alterações provocam uma redução da taxa de gordura corporal. As pessoas que os consomem ganham força, potência e maior tolerância ao exercício físico. Sem grandes esforços, elas atingem a meta de mudar a aparência rapidamente e a um preço acessível - uma ampola custa em média R$ 7 nas farmácias do país.
Embora essas drogas venham com uma tarja na embalagem alertando que o produto deve ser usado com indicação médica, no Brasil qualquer pessoa pode comprá-las sem receita em farmácias e academias. Nos Estados Unidos, onde o controle é rigoroso, esses produtos são comercializados basicamente no mercado negro, que chaga a movimentar quase US$ 1 bilhão por ano. Na França, na Dinamarca e em Portugal quem for pego com uma caixa de anabolizantes sem prescrição médica pode ser preso.

"A solução não está em proibir a comercialização dessas drogas. É preciso encontrar um meio de combater o uso irresponsável e indiscriminado, feito com fins meramente estéticos", afirma o farmacologista Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ex-secretário de Vigilância Sanitária na gestão Adib Jatene no Ministério da Saúde. Carlini alerta que muitos dos anabolizantes consumidos pelos jovens brasileiros têm uso veterinário no exterior.

Estudos científicos mostram que o uso inadequado de anabolizantes pode causar sérios prejuízos à saúde, como problemas cardíacos, hipertensão arterial, distúrbios psicológicos provocados pelo aumento da agressividade, complicações hepáticas e redução de hormônios sexuais. Nos homens, pode haver diminuição na produção de espermatozóides, além de atrofia dos testículos e aumento das mamas. As mulheres podem apresentar aumento do clitóris e crescimento excessivo de pêlos.

A lista dos prejuízos é extensa e incompleta porque, como não há controle, os jovens e atletas usam doses cavalares da droga, e efeitos colaterais desconhecidos ainda podem aparecer. "O mais preocupante é que os usuários sabem disso, mas ainda assim estão dispostos a correr o risco. É abuso de drogas mesmo", denuncia o farmacologista da Unifesp.

Doses cavalares
"Sabe-se que os jovens tomam de quatro a quarenta vezes a dose médica normal dos anabolizantes", afirma o pediatra e endocrinologista Pedro Solberg, professor livre-docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Mas conscientizá-los dos perigos dos anabolizantes é tarefa árdua. Muitos efeitos colaterais, como o infarto, demoram alguns anos para se manifestar, e outros, como a agressividade, são reversíveis com a suspensão do medicamento.

"A maioria dos jovens toma anabolizantes por indicação de amigos. E se seus colegas não sofreram nada, eles acreditam que nada vá acontecer também", diz a endocrinologista Maria Lúcia Fleiuss de Farias, professora adjunta da UFRJ e presidente de regional do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Falar sobre os riscos dos anabolizantes torna-se ainda mais difícil quando a indicação da droga é feita pelo próprio professor da academia ou pelo médico, o que não é incomum. "Um estudo feito nos Estados Unidos mostrou que o adolescente começa a tomar anabolizantes influenciado em primeiro lugar pelos amigos, depois pelo farmacêutico, em terceiro pelos professores e treinadores e em quarto pelo médico. Esse jovem nunca vai pensar que a droga pode trazer prejuízos se foi o próprio médico que indicou", destaca o especialista em Medicina do Exercício Cláudio Gil Araújo, presidente da Comissão de Educação da Confederação Pan-americana de Medicina Desportiva.

Consumo alarmante

Pesquisa feita pela Escola de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) dirigida a profissionais ligados à atividade física, médicos, professores, treinadores, atletas e estudantes da área mostrou que a grande maioria dos 288 entrevistados (71%) concorda que o uso de anabolizantes vem crescendo de forma alarmante no Brasil, sobretudo entre adolescentes. "Eles querem mostrar-se fortes, musculosos, para obter destaque social, mas a maioria nega o uso de meios artificiais para conquistar essa performance" constata o professor de treinamento desportivo Fernando Vítor Lima, que coordenou a pesquisa.

A consulta mostra que 75% dos entrevistadores acreditam que se o usuário declarar que usa anabolizantes para fins estéticos será discriminado nos meios esportivos. Entre atletas, esse uso é ainda mais condenado: 98% dos consultados acham que é uma forma desleal de competição.

Nas contas de Lima, para se obter um físico musculoso, forte e bem-definido, é preciso um treinamento sistemático, intenso, durante pelo menos um ano. Os anabolizantes aceleram esse processo, produzindo resultados semelhantes em apenas dois meses. Mas para manter a musculatura obtida artificialmente, é preciso continuar consumindo a droga. "Quando se interrompe o uso, perde-se muito rapidamente o que se conquistou por esse meio. Manter um corpo musculoso torna-se então quase um vício", deduz o pesquisador da UFMG, que também é professor de musculação da academia Wall Street Fitness, em Belo Horizonte.

Nas academias de musculação e nos grupos que praticam artes marciais, principalmente, o comércio dessas drogas cresce a cada dia. Em alguns locais do Rio de Janeiro o uso dos anabolizantes é tão disseminado que os alunos se matriculam e levam a caixa do remédio na primeira aula. "O consumo pelos jovens já é uma epidemia" confirma Pedro Solberg.

Fernando Lima denuncia a comercialização desses medicamentos por pessoas leigas, que prescrevem altas dosagens de forma totalmente irresponsável. Nos meios competitivos, esse vício também se expande, e os atletas já conseguem desenvolver mecanismos de burlar os exames antidopping. Para se ter uma idéia, nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1986, dos 1.480 exames feitos para testar o uso de anabolizantes, apenas sete confirmaram a presença dessa substância.

Uma pesquisa realizada em 125 farmácias de Vitória (ES), entre abril e maio de 1993, constatou que foram vendidas 2.409 caixas de anabolizantes no período. "Só que 1.788 caixas (74%) foram compradas sem receita médica. E as outras 330 caixas foram vendidas com prescrição, o que também é estranho, já que a indicação de anabolizantes é muito restrita", afirma o médico especializado em esportes Luciano Resende, que chefiou o estudo e é também coordenador do controle antidopping da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Espírito Santo.

A indicação de anabolizantes se restringe a pouquíssimos casos. O hipogonadismo, doença em que o homem tem uma baixa produção de testosterona (hormônio masculino) é um deles. Doentes com câncer terminal muitas vezes também fazem o uso do remédio para ganhar peso.
Para verificar a razão do abuso das indicações de anabolizantes e esclarecer os farmacêuticos sobre os perigos da venda indiscriminada do medicamento, Resende, também vereador pelo Partido Popular Socialista (PPS) em Vitória, realizou uma audiência pública em setembro de 1997 na Câmara Municipal.

Pílulas e ampolas

Os anabolizantes podem ser encontrados em comprimidos e ampolas. A forma injetábel é a preferida dos malhadores, por agir mais rapidamente. Se ingerida, a droga prejudica ainda mais o organismo, já que precisa ser metabolizada pelo fígado.

A via injetável, entretanto, tem uma complicação extra: o uso comum de seringas. Grande parte dos jovens faz a própria aplicação junto com os amigos da academia. "Apesar de não existirem estatísticas, acredita-se que a incidência do vírus da Aids (HIV) e da hepatite aumentou entre os jovens que usam anabolizantes por via intravenosa por causa do compartilhamento da seringa", afirma Cláudio Gil Araújo.

O médico cita um estudo feito no Canadá, com dezesseis mil adolescentes, publicado na Revista de Medicina Desportiva em janeiro de 1996. "Três por cento dos entrevistados contaram que usavam anabolizantes. Desses 30% o faziam por via injetável e 30% compartilhavam seringas. O risco de esses jovens se contaminarem com o HIV é muito alto", adverte Araújo.

 Informação como aliada

O esclarecimento e as campanhas educativas nas escolas e academias parecem ser uma saída para conter o uso indiscriminado de anabolizantes. "O Adolescents Training and Learning to Avoid Steroids - Atlas (Treinamento e aprendizado de adolescentes para evitar esteróides) foi um programa educativo feito nos Estados Unidos através de vídeos e palestras, para mostrar os perigos dos anabolizantes. Os médicos esclareciam as dúvidas sobre a droga em escolas, clubes e academias. Um ano depois, os profissionais checaram se os jovens continuavam usando o medicamento e verificaram que o consumo tinha diminuído", afirma Araújo. "Programa semelhante deveria ser feito no Brasil, porque a tendência é que o consumo de anabolizantes aumente ainda mais se uma postura enérgica não for tomada", avisa o médico.

Segundo Pedro Solberg, não adianta criticar e policiar as atitudes do jovem. "O ideal é conversar e levá-lo a um médico, que pode mostrar alternativas", afirma o endocrinologista. Entre os principais sinais de que a droga está sendo consumida, Solberg destaca o aparecimento súbito de acne, exacerbação da agressividade sem motivo aparente, preocupação excessiva com exercícios físicos, mudança brusca na forma física, crescimento de pêlos no rosto e alteração da voz nas meninas.

Embora considere necessário divulgar informações cientificamente documentadas mostrando os riscos que se corre com o uso indevido de anabolizantes, Fernando Lima avalia que essa não deve ser a única estratégia de combate à disseminação dessa "epidemia". A seu ver, punir e negar os resultados mostraram-se medidas pouco funcionais para inibir o uso. Ele propõe que sejam esclarecidos os ganhos mais duradouros e saudáveis obtidos quando se desenvolve a musculatura através de treinamentos regulares. Propõe também uma campanha educativa capaz de desmistificar a extrema valorização de corpos fortes e bem modelados defendida pela mídia como objeto de prestígio social. "Os jovens são levados a acreditar que, para ter sucesso, precisam de físicos esculturais e buscam conquistar isso a qualquer custo."

Efeitos no organismo
Cérebro
* dores de cabeça
* tonturas
* aumento da agressividade
* irritação
* alteração de humor
* comportamento anti-social
* paranóia


Laringe
* alteração permanente das cordas vocais em mulheres (a voz fica mais grave)


Coração
* aumento do músculo cardíaco, que pode levar a infarto em jovens


Fígado
* aumento da produção da enzima transaminase, responsável pelo metabolismo das substâncias. O órgão passa a trabalhar demais. Foram registrados casos de tumor, cirrose, icterícia e peliosis hepatis (cistos cheios de sangue que podem levar a hemorragias).


Rins e aparelho urinário
* retenção de água. Os rins ficam sobrecarregados e, a longo prazo, podem aparecer tumores, queimação e dor ao urinar.


Aparelho reprodutor
* atrofia dos testículos e dor no saco escrotal
* ginecomastia (crescimento da mama em homens)
* esterilidade feminina e masculina (são necessários de seis a trinta meses para que o homem volte a produzir espermatozóides)
* aumento do clitóris (cresce como se fosse um pequeno pênis)
* alteração do ciclo menstrual
* atrofia do útero e da mama, aumento da libido incialmente e queda depois do uso repetido

Pele
* acne (tipo grave que deixa cicatriz no rosto e no corpo)
* crescimento excessivo de pêlos nas mulheres
* calvície precoce nos homens
* estrias

Músculos
* aumento da massa muscular pelo depósito de proteínas nas fibras musculares
* diminuição da quantidade de gordura do corpo
Sistema lipídico
* redução do bom colesterol (HDL) e aumento do mau colesterol (LDL)

Ligamentos
* mais chances de ruptura por arrancamento

Ossos
* na puberdade, os anabolizantes aceleram o fechamento da epífises (regiões do osso responsáveis pelo crescimento), reduzindo o período de crescimento, resultando em uma estatura menor.
Sistema circulatório e imunológico
* aumento do número de hemácias jovens e diminuição dos glóbulos brancos
* hipertensão arterial

Doping em atletas

O uso dos anabolizantes pode ter outro objetivo que não o aumento da massa muscular: o dinheiro obtido com prêmios em competições esportivas. Atletas profissionais são freqüentemente flagrados nos exames antidoping feitos nos campeonatos.

O corredor Ben Johnson, que conseguiu a incrível marca de 9s79 durante a prova de 100m rasos na Olimpíada de Seul, em 1988, perdeu a medalha de ouro depois que o Comitê Olímpico Internacional (COI) registrou traços do anabolizante estanozolol em sua urina. Além da medalha, Johnson perdeu o prêmio de quinhentos mil dólares pago por um patrocinador.

"Um segundo em uma prova de atletismo faz muita diferença e vale muito dinheiro. As punições para os atletas que usam anabolizantes são brandas se levarmos em consideração o número de pessoas que eles lesam", afirma o médico especializado em Medicina do Exercício, Cláudio Gil Araújo.

O controle efetivo do doping entre atletas é recente. Segundo o coordenador do Laboratório de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (Ladetec), do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o professor Jari Nóbrega Cardoso, foi só a partir da desclassificação de Ben Johnson que os métodos de análise se tornaram satisfatórios. "As técnicas tornaram-se mais sofisticadas e agora conseguimos detectar várias drogas", conta.

O processo é relativamente simples. Uma pequena quantidade de urina do atleta passa por um processo de tratamento que separa as impurezas e concentra um pequeno volume de amostra. Depois, com a ajuda de dois exames - a espectrometria de massas e a cromatografia gasosa - feitos com aparelhos ligados em computadores, é possível verificar se houve uso de anabolizantes.

O resultado é positivo quando aparecem picos quase sem oscilações de testosterona (hormônio masculino e matéria-prima da maioria dos anabolizantes). No organismo normal, as ondas são bem pronunciadas.
O problema do teste antidoping é que o atleta só pode ser punido se forem encontrados traços da droga no organismo e, muitas vezes, o uso é suspenso de três a quatro meses antes da competição - tempo suficiente para o organismo eliminar qualquer evidência. "Nosso trabalho é policial. Se não temos provas nada feito", diz Cardoso. "E dá para perceber claramente os atletas que usaram anabolizantes", completa o outro coordenador do Ladetec, o professor Francisco Radler de Aquino Neto.

Para tentar driblar os atletas inescrupulosos, o COI criou o Out of Competition, exame que pode ser feito em qualquer dia de treinamento, fora do período de competição. "O COI tem a relação dos prováveis atletas convocados das delegações que participam nas competições internacionais e faz o exame de surpresa. Assim pode detectar o uso de anabolizantes antes que o atleta pare de usá-lo", explica Araújo.

Como age a droga

A maioria dos anabolizantes esteróides são derivados sintéticos do hormônio masculino testosterona, geralmente retirado do testículo do boi. A substância faz o anabolismo protéico, um aumento da síntese de proteínas no organismo, que associada a exercícios físicos aumenta a massa muscular e a força.
Tanto homens quanto mulheres produzem normalmente a testosterona, sendo que elas em quantidade muito menor. A hipófise, glândula localizada no cérebro, produz uma substância chamada gonadotrofina que avisa aos órgãos reprodutores que é necessária a produção da testosterona. Quando a testosterona está circulando no sangue, um mecanismo desliga a hipófise, que pára de enviar sinais para o organismo.

Mas quando se consome testosterona sintética, o organismo suspende o comando de liberação de ganadotrofina pela hipófise e, conseqüentemente, as funções dos testículos, onde se fabricam o hormônio e os espermatozóides. Por isso, o uso de anabolizantes causa infertilidade que, na maioria dos casos, é reversível com a suspensão do uso da droga.

Os anabolizantes não esteróides, como os aminoácidos, ajudam a sintetizar proteínas. São como os tijolos de uma parede. Só têm algum efeito se associados a superalimentação e exercícios físicos. Com uma dieta bem balanceada, com grande quantidade de proteínas, obtém-se o mesmo efeito, sem os riscos dos anabolizantes, que variam de sobrecarga dos rins a obesidade.

A falsa produtividade anima

A promessa de se incrementar o ganho de peso animal através de uma droga milagrosa tem seduzido os pecuaristas brasileiros menos avisados. Os aditivos anabolizantes conquistam a cada dia mais espaço entre os produtores rurais interessados em uma alternativa mais fácil para atingir o máximo da produtividade de seus rebanhos em curto espaço de tempo.

"O uso de produtos anabolizantes é incentivado por uma propaganda enganosa, pois nenhuma espécie animal precisa receber aditivos para acelerar seu ganho de peso", denuncia Luís Eustáquio Lopes Pinheiro, presidente do Colégio Brasileiro de Reprodução Animal (CBRA). Para otimizar a produção de bovinos, suínos e aves, ele defende a adoção de sistemas de manejo eficientes, boa alimentação e, se possível, a aplicação de tecnologias genéticas de melhoramento.

Pinheiro argumenta que de nada adianta empregar esse tipo de droga - que tem a propriedade de aumentar o peso através da retenção de líquidos - se os animais não são alimentados adequadamente ou deixam de receber os cuidados sanitários devidos para evitar doenças.

O presidente da CBRA avalia que o uso indiscriminado e crescente de anabolizantes na pecuária se deve sobretudo à ausência de normas governamentais que regulamentem seu uso, deixando o campo livre a campanhas publicitárias que conseguem convencer o produtor a abandonar os processos naturais em nome de uma solução mágica. Como não há controle no comércio desses aditivos, seu emprego em animais é feito sem o menor critério. "Na maioria das vezes, os criadores compram drogas contrabandeadas no mercado negro, sem sequer saber o que estão usando", afirma.

Segundo Pinheiro, o desconhecimento dos criadores permite também que a publicidade estimule práticas absurdas. Uma delas é a castração do macho bovino, sob o pretexto de torná-lo mais manso e aumentar o teor de gordura da carne, condição supostamente necessária para congelá-la em frigoríficos. O prejuízo, a seu ver, é duplo: junto com os testículos do animal, elimina-se uma fantástica fonte de anabolizantes naturais, que depois costuma ser reposta com o anabolizante sintético. A carne gorda, por sua vez, encontra cada vez menos adeptos junto ao consumidor moderno, preocupado em reduzir seus índices de colesterol. Ele informa que hoje é possível, através de moderna tecnologia, congelar carne sem gordura sem que ela escureça.

Some-se a isso um fato importante do ponto de vista econômico: nos dias atuais, o mercado importador paga mais caro pela chamada carne "verde" do animal que só come capim, sem vestígios de aditivos sintéticos. "É incompreensível que os produtores brasileiros abandonem essa alternativa natural em favor de soluções artificiais impostas pelos interesses comerciais da indústria de anabolizantes", protesta Pinheiro.
Embora adepto de uma pecuária "verde", o presidente do CBRA não vê no uso de anabolizantes veterinários um risco à saúde humana. Ele alega que, para absorver resíduos significativos de esteróides por essa via, seria preciso ingerir grandes quantidades de carne crua, algo em torno de 20kg quilos por dia. Para Pinheiro, o mais grave é consumir carne com brucelose ou contaminada pelo bacilo da tuberculose, doenças comuns nos rebanhos brasileiros, dadas as precárias condições de controle sanitário.

Mas há quem conteste esse argumento. Para o pesquisador Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), não se pode afirmar com tanta certeza que o consumo de carne contendo aditivos anabolizantes seja inofensivo à saúde humana. Segundo ele, há uma polêmica ainda não resolvida entre os ministérios da Saúde e da Agricultura nesse sentido. Durante sua gestão na Secretaria de Vigilância Sanitária, à época da administração de Adib Jatene, os dois ministérios realizaram um simpósio sobre o tema, mas não chegaram a uma conclusão normativa. "A questão precisa ser amadurecida ainda", pondera Carlini.
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FONTE:
In: Ciência Hoje, Rio de Janeiro, vol.22, nº131, set.1997.
Marise Muniz - Especial para Ciência Hoje/MG
Raquel Afonso - Especial para Ciência Hoje/RJ
Vera Rita de Costa - Ciência Hoje/SP
Dietanet: http://www.dietanet.hpg.ig.com.br/nanabolizantes.htm



 Vigorexia
  Vigorexia  é quando uma pessoa vê imagens destorcidas. Como por exemplo, uma pessoa que é muito forte quando se olha em um espelho se acha muito fraca. A vigorexia é também conhecida comosíndrome de adonis. Essa é uma doença que ocorre em homens que mesmo sendo o mestre da ginástica de tanto fazer exercícios e mesmo tendo um corpo escultural e forte não conseguem enxergar isso no espelho. A vigorexia também pode ocorrer em mulheres, mas com uma freqüência bem menor.

A vigorexia geralmente ocorre em pessoas que praticam musculação e também fazem fisiculturismo ao extremo. É muito importante saber que nem todas as pessoas que malham e que fazem fisiculturismo sofrem dessa doença. Algumas pessoas que estão em academias malhando fazem exercícios com exagero e não conseguem enxergar de maneira nenhuma que estão exagerando e nem mesmo conseguem ver que estão fortes. Esses exercícios exagerados se tornam uma obsessão e com isso a pessoa acaba ficando com a vigorexia. Agentes de saúde estão sempre atentos a tudo isso, mas mesmo assim muitos casos não chegam ate o conhecimento deles.

Quando se trata de uma pessoa com vigorexia é bem complicado, pois a obsessão por músculos acaba levando essas pessoas a utilizarem anabolizantes para ficarem cada vez mais musculosos e isso causa danos irreversíveis à saúde. Os anabolizantes fazem muito mal as pessoas e mesmo assim eles não se importam e continuam a usar o produto. Para fazer exercícios físicos é importante sempre procurar um bom médico e essa é uma das muitas dicas de segurança para que se possa malhar sem ter problemas. É muito ruim usar produtos como esses e os maus que podem causar chegam até mesmo a matar pessoas. A pessoa toma anabolizantes fica depressiva e isso não é nada bom para a saúde. Infelizmente comprar esses produtos é muito fácil, pois muitas academias vendem para seus alunos com o intuito de ganhar muito dinheiro e com isso não se preocupam com a saúde de seus alunos que podem estar desenvolvendo um quadro de vigorexia.

Causas Vigorexia
A vigorexia afeta de maneira tão forte que as pessoas nem se preocupam com os danos que ela pode causar e somente se importam em ficar com músculos grandes. A pessoa que sofre de vigorexia não pensa somente em ter os músculos avantajados, mas também em mostrá-los todo o tempo. Alguns sintomas que mostram que uma pessoa esta exagerando nos treinos são: Insônias, maior susceptibilidade a infecções, dores musculares persistentes, Ritmo cardíaco elevado quando se esta parado, depressão, perda de motivação, menor desempenho sexual, cansaço, irritabilidade, maior incidência de lesões, perda de apetite, perda de peso e sem contar o desempenho sexual que fica bem ruim. Fique alerta a todos esses sintomas e tome cuidado.

Um comentário:

  1. cala aa boca nada ver isso ae se fosse assim não iria existir fisiculturismo pensa um pouco bando de boçal

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