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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Hermafrodita supera polêmica em prova com choro e aplausos de pé


Volta por cima, drama e estreias históricas marcam baterias dos 800m
Hermafrodita, Caster Semenya supera polêmicas e vai às semifinais. Turca sofre para completar distância após lesão, e palestina e saudita debutam


Era preciso dar duas voltas na pista do Estádio Olímpico e chegar entre as três primeiras para se classificar para as semifinais dos 800m. Mas quatro competidoras mostraram que nem sempre os objetivos se resumem à frieza dos números. Caster Semenya, Merve Aydin, Woroud Sawalha e Sarah Attar venceram as barreiras que foram impostas a elas e completaram o percurso com a certeza de que fizeram tudo o que estava a seu alcance. A sul-africana, campeã mundial em 2009 mesmo após ser exposta sobre uma investigação sobre sua sexualidade, seguiu na competição com o terceiro melhor tempo geral, enquanto as outras três meio fundistas se despediram dos Jogos.
As semifinais serão disputadas às 15h30m (horário de Brasília) desta quinta-feira.
Caster Semenya estreia em Olimpíadas e vai às semifinais dos 800m feminino (Foto: AFP)

Merve Aydin chora ao completar a prova (Foto: AFP) 
Em 2009, Caster Semenya foi rapidamente do céu ao inferno. Campeã mundial dos 800m em Berlim, a sul-africana apresentava níveis de testosterona muito mais altos do que o normal e foi afastada pela Federação Internacional de Atletismo (Iaaf, na sigla em inglês) em um primeiro momento. A meio fundista fez vários exames, que mostraram que ela era hermafrodita e que não havia doping. Nos anos seguintes, encarou lesões e problemas com o peso para dar a volta por cima. Em Londres, foi a porta-bandeira do país, e nesta quarta-feira finalmente deixou as polêmicas para trás. Semenya foi a segunda colocada da primeira série, com 2m00s71, atrás apenas da americana Alysia Montano Johnson, com 2m00s47.

Na segunda bateria, a atleta mais lenta foi a mais aplaudida. No meio do percurso de duas voltas sobre a pista, a turca Merve Aydin se contundiu. Mesmo com dor e chorando muito, ela fez questão de cruzar a linha de chegada. A cada passo, um mar de lágrimas descia em seu rosto. Cumpriu seu objetivo em 3m24s35, tempo muito distante das adversárias que avançaram na competição – a mais rápida na tomada de tempo foi a russa Mariya Savinova com 2m01s56.
Woroud Sawalha não tem pista de atletismo para treinar na Palestina (Foto: Reuters)

Nas duas últimas séries, duas atletas muçulmanas também foram aplaudidas de pé, mesmo tendo sido as últimas colocadas. Na quinta bateria estava a palestina Woroud Sawalha. Mesmo sem pistas adequadas para treinar em seu país, também esteve no Mundial Indoor de Istambul (relembre no vídeo ao lado). Em Londres, bateu seu recorde pessoal com 2m29s16, mas ficou longe da zona de classificação.

O mesmo aconteceu com Sarah Attar, da Arábia Saudita. Primeira mulher da história do país a competir no atletismo nos Jogos Olímpicos (sua compatriota Wodjan Shaherkani já havia lutado no judô), ela correu os 800m em 2m44s95.

- Foi uma experiência incrível estar representando a Arábia Saudidta. Estou muito feliz em fazer parte disto. É muito legal ver todo mundo me apoaindo, me aplaudindo de pé. Agradeço a todos que me apoiaram - disse Sarah, em entrevista ao SporTV.

A atleta Caster Semenya é pseudo-hermafrodita

A controvérsia sobre a sexualidade da campeã de atletismo Caster Semenya, recorde mundial dos 800 metros rasos, produziu um novo e desconcertante resultado: a extensa quantidade de testes indicaria que a desportista é pseudo-hermafrodita. Ou seja, tem simultaneamente características masculinas e femininas.

De acordo com os resultados dos testes, Semenya não tem ovarios nem úteros, mas tem mas tem testículos ocultos internamente que produzem testosterona, ou seja hormônios masculinos. Estes resultados poderão ameaçar a fulgurante carreira da adolescente sul-africana, que se tornou campeã do mundo dos 800 metros no último mundial de atletismo em Berlim.

Os exames concluíram que Caster Semenya é portadora de uma deficiência cromossomática que lhe confere, de forma simultânea características masculinas e femininas. Um pseudo-hermafrodita só tem ou testículos ou ovários e os genitais externos pertencem aos do outro sexo, enquanto um hermafrodita tem simultaneamente ovários e testiculos.

Testes preliminares já tinham adiantado que Semenya possuía níveis de testosterona três vezes superiores aos que normalmente se detectam num organismo feminino.

A atleta, que esta semana apareceu na capa de uma revista do seu país envergando um vestido preto, maquiada e penteada, já foi informada dos resultados.

O porta voz da Federação Internacional de Atletismo, disse que deve ficar claro que Caster é uma mulher, "embora talvez não cem por cento. Temos que aprofundar os estudos para saber se ela não leva vantagem pelo fato de ficar entre os dois sexos, comparada com as outras atletas".

Existe dúvida se a atleta deverá conservar a sua medalha de ouro ganha em Berlim, nos 800 metros femininos. Mas para evitar mais polêmicas é possível que a sul-africana mantenha a medalha, só que poderá vir a ser impedida de participar em futuras provas femininas. [Metamorfose Digital]

Campeã mundial em 2009, Caster Semenya enfrentou um ciclo difícil após ter sua sexualidade contestada. Deu a volta por cima, ganhou a prata nos 800m e voltou para casa vitoriosa, liderando a delegação ao lado do nadador Cameron van der Burgh, ouro nos 100m peito.

sábado, 5 de maio de 2012

Raro defeito congênito cria geração de pseudo-hermafroditas em Gaza



Os meninos Nadir e Ahmed em Gaza - Reprodução


 Até o verão passado, Nadir Mohammed Saleh e Ahmed Fayiz Abed Rabo eram, para todos os efeitos, meninas. Eles usavam véu, frequentavam uma escola exclusiva para meninas e respondiam pelos nomes de Navin e Ola. Ambos nasceram com um defeito congênito raro chamado Pseudo-hermafroditismo masculino. Uma deficiência do hormônio 17-B-desidrogenase (17-B-HSD) durante a gravidez deixou seus órgãos reprodutivos masculinos deformados e inclusos em seus abdomens.


Ao nascer, os médicos os identificaram como meninas - porque pareciam ter genitália feminina. Como resultado, ambos passaram os primeiros 16 anos de suas vidas se vestindo e agindo como garotas. Assim que atingiram a puberdade, no entanto, seus corpos começaram a produzir testosterona. Surgiram então pêlos nos rostos e outras características masculinas.
Até o verão passado, Ahmed era Ola - Reprodução
- Por causa dos pelos que começaram a surgir no rosto, ficou difícil para eles saírem de casa, irem à escola [de meninas]. Era psicologicamente muito estressante - disse o pai de Nadir, Mohammed Sadih Ahmed Saleh.


Finalmente, em 22 de junho, com o apoio de suas famílias, tanto Nadir quanto Ahmed "se transformaram" em meninos. Eles cortaram o cabelo, trocaram as roupas femininas por outras mais masculinizadas. De gel no cabelo [curto], camisa de botão e jeans, não destoam em nada de qualquer outro garoto palestino de 16 anos. Pelo menos à primeira vista.

"Meu corte de cabelo e minhas roupas fazem você pensar num menino. Mas é só aparência. No fundo, eu sou uma garota"
 - disse Ahmed.


Um número elevado de nascimentos de pseudo-hermafroditas vendo sendo registrado no bairro de Jabalya, onde Nadir e Ahmed, que são primos e vizinhos, vivem. Segundo Jehad Abudaia, pediatra e urologista canadense-palestino que mora e trabalha em Gaza, cerca de 80 casos semelhantes foram diagnosticados nos últimos sete anos.
- É espantoso que tenhamos [tantos] casos desse defeito, que é muito raro em todo o mundo - disse Abudaia.


Ele atribui a alta freqüência deste defeito congênito à consangüinidade.


- Eles se casam com os primos. Este é o problema.


Na Europa Ocidental, os países mais desenvolvidos, os médicos normalmente identificam o problema e em seguida operam para corrigir distúrbios de diferenciação de sexo no nascimento. Mas em Gaza, onde o padrão de cuidados médicos é baixo, o defeito de nascença pode passar despercebido durante anos.


- Alguns deles, infelizmente, só descobrirão tardiamente, quando tiverem mais de 14 anos. A maioria descobre quando vai ao ginecologista pela primeira vez, para entender porque ainda não menstruou - explicou.


O primeiro conselho do médico para os seus pacientes com o raro transtorno é que adotem imediatamente roupas masculinas e cortem o cabelo. Só depois devem planejar a operação de mudança de sexo.


"Nós não sabemos bem como agir. É uma vida nova para nós, como se nós tivéssemos nascido de novo"

- Nadir e Ahmed fizeram tudo juntos. Se ajudaram mutuamente a passar por essa crise. Eles mudaram de escola no mesmo dia. Cortaram os cabelos no mesmo dia - disse o pai de Nadir.


Este ritual incomum foi realizado várias vezes na família dos meninos, onde a diferenciação sexual é um transtorno recorrente. O irmão de Nadir, Midyam, que hoje tem 21 anos, e seu primo Ameen, de 32 anos, também sofrem de pseudo-hermafroditismo masculino.


- Nós não sabemos bem como agir - diz Ahmed, que tem 16 anos. - É uma vida nova para nós, como se nós tivéssemos nascido de novo.


Agora, Nadir e Ahmed apelam à comunidade internacional que os ajude a mudar de sexo. A operação é cara e complicada mas, segundo eles, é o único jeito de eles poderem ter uma vida normal.


- É o único obstáculo e a fonte de todos os problemas - diz Nadir.

"Alguns deles, infelizmente, só descobrirão tardiamente, quando tiverem mais de 14 anos"

Até que a operação de mudança de sexo seja concluída, as autoridades palestinas não alteram o sexo em suas carteiras de identidade. Mais grave, no entanto, é a questão da saúde dos rapazes. Nadir e Ahmed têm frequentes problemas, como infecções renais, devido a complicações decorrentes da desfiguração de sua genitália.


- Isto é uma questão 100% humanitária - diz o pai de Nadir.


Fonte: O Globo

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Hermafroditismo: Principal causa é mutação genética

Ocorrência de genitais ambíguos é rara; Brasil não tem estatística.

Jornal afirmou que a corredora sul-africana Caster Semenya é hermafrodita.

Jornal australiano 'The Sydney Morning Herald' afirma que exames realizados durante a competição atestam que a atleta Caster Semenya é hermafrodita (Foto: AP)

O hermafroditismo é a presença em um indivíduo de genitais ambíguos – com estruturas masculinas e femininas completas ou não – desde o nascimento. Até os dois meses de gestação, homens e mulheres têm a genitália idêntica. O que os diferencia, a partir desse momento, é que a presença do cromossomo Y no embrião do sexo masculino (em especial um gene denominado SRY), produz proteínas que orientam para a formação dos genitais masculinos e para a ação da testosterona, o hormônio sexual masculino. No feto do sexo feminino, a ausência do gene SRY estimula a formação de genitais femininos. Não há estimativa de ocorrência de casos no Brasil, explica o médico geneticista Salmo Raskin, presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica. “Não temos ideia da incidência porque no país as doenças raras não têm nenhum acompanhamento, por falta de estrutura.

Enquanto o país não tiver uma política de atendimento em genética no SUS, não se pode falar em incidência de doenças genéticas no país”, diz. “Além disso, muitas vezes os pais escondem o problema.” Com 16 anos de experiência na área, Raskin calcula já ter atendido mais de 200 casos. “Já atendi casos de moças de 18, 19 anos que me procuraram porque não menstruavam. A razão, simplesmente, era porque não tinham útero.”
"Já atendi casos de moças de 18, 19 anos que me procuraram porque não menstruavam. A razão, simplesmente, era porque não tinham útero"
Aparentemente este é o caso da atleta sul-africana Caster Semenya, campeã dos 800 metros no Mundial de Berlim, em agosto. De acordo com o jornal australiano "The Sydney Morning Herald", exames realizados durante a competição atestam que a fundista é hermafrodita: ela não possui ovários, apesar de na aparência externa apresentar órgão sexual feminino. O laudo definitivo só sai em novembro.

Há três tipos de hermafroditismo: o hermafroditismo verdadeiro, o pseudo-hermafroditismo masculino e o pseudo-hermafroditismo feminino.

No primeiro caso, o indivíduo apresenta ovários e testículos e os órgãos genitais externos com estruturas masculinas e femininas. Geneticamente, a maioria dos hermafroditas verdadeiros tem em cada célula dois cromossomos X – os homens normais têm um cromossomo X e um Y e as mulheres, dois X. Portanto, eles deveriam ser mulheres. O desenvolvimento dos testículos se deve a alterações em genes ainda desconhecidos que atuam como o gene SRY do cromossomo Y, responsável pela formação dos testículos.

No segundo, o indivíduo é um homem (XY) do ponto de vista genético, mas o pênis não se desenvolve completamente. Trata-se de homens não completamente virilizados, por lacunas no desenvolvimento sexual embrionário.

No terceiro caso, ocorre o inverso. As mulheres apresentam dois cromossomos X e têm o aparelho reprodutor feminino completo, mas durante a fase intrauterina sofrem um processo de virilização dos genitais: o clitóris cresce excessivamente e se apresenta como uma estrutura semelhante ao pênis.

Uma das causas possíveis é genética. Mutações no gene CYP21A2 (que se encontra no braço curto do cromossomo 6) resultam na deficiência de uma enzima, a 21-hidroxilase. O nome da doença decorrente dessa deficiência é hiperplasia congênita da supra-renal (HCSR), que ocorre em 1 em cada 17 mil nascimentos, segundo a Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal. Certas formas desta doença põem em risco de morte a criança com 7 a 14 dias de idade, pois há perda de sal e desidratação severa e rápida, que, se não tratada com urgência, pode levar a óbito.

A escassez da enzima 21-hidroxilase impede a síntese do hormônio cortisol, produzido nas glândulas supra-renais. Numa reação em cadeia, a falta desse hormônio aciona uma glândula da base do cérebro, a hipófise, que intensifica a produção de outro hormônio, o hipofisário corticotrófico, estimulante da atividade das supra-renais. Em resposta a esse estímulo, as supra-renais aumentam de tamanho e produzem mais hormônio masculino, a testosterona. Nos fetos do sexo feminino, o excesso desse hormônio provoca virilização: as mulheres nascem com um clitóris hipertrofiado, que lembra um pênis, e uma bolsa escrotal sem testículos, que recobre completamente a vagina.

Há também causas não genéticas. Quando a mulher, sem saber que está grávida, toma hormônios, essas substâncias podem contribuir para a virilização do feto do sexo feminino.




“O tratamento (do HCSR) é com hormônio corticoide. Mas precisa tomar hormônio o resto da vida, pois é um defeito enzimático. E os casais que têm um filho com este problema devem fazer aconselhamento genético antes de planejar futuras gestações, pois o risco de repetição é de 25% em cada nova gestação”, explica Raskin.

Atualmente os casos têm de ser acompanhados por equipes com profissionais de várias áreas, sem muita pressa, porque o próprio paciente deve opinar sobre a operação"


O leque de tratamentos também inclui intervenções cirúrgicas, decididas caso a caso e, evidentemente, acompanhamento psicológico. “Hoje em dia mudou muito a visão de tratamento desses pacientes. Há 30 anos cometeram-se verdadeiros erros médicos, era uma fase em que os cirurgiões pediátricos faziam cirurgias corretivas agressivas sem ouvir a opinião dos pais e sem equipe multidisciplinar para assessoras a decisão”, diz o médico geneticista Gerson Carakushansky, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Atualmente os casos têm de ser acompanhados por equipes com profissionais de várias áreas, sem muita pressa, porque o próprio paciente deve opinar sobre a operação. Só se faz a correção da parte que prejudica a função da criança, por exemplo para urinar. As definitivas ficam para mais adiante, sempre com psicólogos dando apoio à criança e aos pais.” Fonte: G1

Hermafroditismo pode ser curado com cirurgia

Getty Images
Exames confirmaram que
a atleta sul-africana
Caster Semenya é hermafrodita
A polêmica em torno do sexo da atleta sul-africana Caster Semenya, que venceu a prova dos 800m no Mundial de Atletismo de Berlim mês passado, colocou em evidência um problema cercado por muito tabu: o hermafroditismo ou a anomalia do desenvolvimento sexual, como dizem os especialistas. A atleta de 18 anos passou por inúmeros testes e exames a pedido da Federação Internacional de Atletismo, que indicaram que ela não tem ovários, mas tem testículos internos, que produzem grande quantidade de testosterona, o hormônio masculino.

"Na maioria dos casos, o individuo tem um pênis pouco desenvolvido ou um clitóris aumentado. Ou seja, um órgão sexual ambíguo. Nos casos em que não é possível se afirmar o sexo do bebê facilmente, equipe multidisciplinar, em conjunto com os pais, opta pelo melhor sexo que deve ser escolhido para aquela criança após uma série de exames", explica Gerson Carakushansky, geneticista clínico e professor da Faculdade de Medicina da UFRJ.

Retirada de pênis
Em março, outra esportista teve sua vida exposta após revelar ter nascido com órgãos sexuais feminino e masculino. A tenista alemã Sarah Gronert, 22 anos, foi submetida a uma cirurgia para extrair o pênis há cerca de dois anos. Um ano antes da cirurgia, Sarah, que é acusada por suas rivais por ter uma força descomunal para uma mulher, chegou a pensar em abandonar o esporte.

"A forma mais frequente da anomalia, também conhecida como pseudo- hermafrodita feminino, ocorre devido a doença genética que acomete a glândula supra-renal, que fica aumentada e secreta hormônio masculino em grande quantidade. O teste genético mostra que as pacientes são meninas", diz Carakushansky.

Segundo o psiquiatra Fábio Barbirato, da Santa Casa de Misericórdia, uma das maiores dificuldades é definir o momento certo da cirurgia para a escolha do sexo que permanecerá.

Corredora desistiu de prova
Um dia após ter o hermafroditismo revelado, Semenya desistiu de disputar os 4.000m no Campeonato de Cross Country da África do Sul. Segundo o treinador Michael Seme, ela "não estava se sentindo bem". O governo de seu país irá "às últimas instâncias" contra a Federação Internacional de Atletismo se a entidade a excluir das competições. O ministro de Esportes, Makhenkesi Stofile, vai procurar advogados para saber se os direitos humanos de Semenya foram violados.


Uma pergunta muito intrigante:

 “Um indivíduo hermafrodita verdadeiro que se submeta a processos de autofertilização (in vitro ou inseminação artificial) poderia gerar um feto viável?”

 “Não há relatos de autofertilização em hermafroditas humanos. Os hermafroditas verdadeiros humanos são muito raros. Eles têm gônadas com tecidos misturados chamados de ovotestis (de ovário e testículos). Não se encontram na literatura científica menções a obtenção de espermatozóides desses indivíduos. Então uma autofertilização não parece possível. Os hermafroditas conhecidos tem biotipo feminino, podem ovular e seus óvulos podem ser fecundados. Mas não se conhecem casos de ejaculação ou produção de espermatozóides por estes indivíduos.

Em princípio, os hermafroditas podem engravidar, embora existam somente 12 casos registrados em que a gravidez chegou a termo. Todos os filhos gerados foram do sexo masculino” (Ciência Hoje, agosto de 2009, p.5).

Por: Gladis Franck da Cunha