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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Preso em Alagoas, Pai de Eloá diz que espera justiça no julgamento de Lindemberg


Pai de Eloá diz que espera justiça no julgamento de Lindemberg
Preso em Alagoas, ele deu entrevista exclusiva ao Fantástico.
Everaldo dos Santos nega crimes e lamenta não ter resgatado filha.

 Em entrevista exclusiva ao Fantástico, o pai de Eloá Pimentel, Everaldo dos Santos, contou como enfrentou a morte da filha, em outubro de 2008, e disse que espera justiça no julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, acusado de matar Eloá com dois tiros e de balear a amiga dela, Nayara, no rosto. Preso na cadeia de Maceió, em Alagoas, o pai de Eloá afirma que permitiu o relacionamento entre ela e Lindemberg porque considerou que o rapaz aparentava boa índole. Foragido da Justiça na época, Santos conta como fugiu da polícia após ter a identidade revelada para todo o país. Ele lamenta não ter entrado no apartamento para tentar resgatar a filha.

O julgamento de Lindemberg está marcado para esta segunda-feira (13), no Fórum de Santo André. Ao todo, 19 testemunhas foram convocadas: cinco de acusação e 14 de defesa. “Ele desarticulou, acabou com a minha vida. O que eu espero é Justiça. Ele tirou a vida de uma inocente, de uma pessoa maravilhosa como minha filha era”, afirma o pai de Eloá. A advogada de Lindemberg não quis falar.

Durante 15 anos, Everaldo, ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas, escondeu o passado e a verdadeira identidade. O que não esperava é que, durante o seqüestro da filha, sua vida clandestina acabaria. “Eloá era uma pessoa maravilhosa, uma pessoa alegre e dada com todo mundo”, diz o pai da vítima.

O pai conta que o namoro entre a filha e o motoboy Lindemberg Alves começou em 2006, quando Eloá tinha 13 anos, e Lindemberg, 20 anos. “Eu aceitava (o namoro), porque a princípio era uma pessoa de boa índole. Eu nunca iria adivinhar que ele se tornaria uma pessoa monstro que iria eliminar a minha filha”, afirma o ex-cabo.

A tragédia envolvendo a filha revelou a existência de acusações graves contra ele. Durante o seqüestro, que durou cinco dias, Everaldo passou mal. A imagem rodou o país e ele acabou sendo reconhecido. O pai de Eloá era foragido da Justiça havia mais de uma década, acusado de uma série de assassinatos, quando era policial.

Para não ser preso, fugiu logo depois da morte da filha. “Meu filho chegou me abraçando e falou para mim: ‘pai, acabou. A Eloá morreu’. Quando veio a notícia de que já tinham me reconhecido, eu falei: ‘agora, o pai tem que ir embora, porque o pai está correndo risco de vida. Eles já sabem que sou eu e onde eu estou’”, conta Everaldo.

O pai não foi nem ao enterro da filha. “Eu desejava a morte, que o Lindemberg viesse e me matasse também, porque enterrar uma filha com 15 anos e não conseguir enterrar porque eu não estava ali”, lamenta.



Fuga
Everaldo dos Santos diz que fugiu de carro de Santo André, passou por vários estados e que pessoas o ajudaram a conseguir comida. “Procurava muito ficar dentro do mato, porque dentro do mato eu sabia que seria difícil”, lembra.

Quando Everaldo ainda estava foragido, foi julgado em novembro de 2009,  à revelia – ou seja, sem a presença dele no fórum. O ex-cabo foi condenado a 33 anos de prisão pelos assassinatos do delegado Ricardo Lessa e do motorista dele, Antenor Carlota. Esses crimes aconteceram em Maceió em 1991. “Eu não tive um julgamento justo para eu me defender perante a Justiça, perante o juiz”, declara.

“Ele é inocente, e a gente vai provar isso através dos tribunais superiores em Brasília”, afirma advogado de Everaldo, Thiago Pinheiro.

De acordo com o Ministério Público, o julgamento foi legítimo e as provas contra Everaldo são contundentes. “Segundo as testemunhas, ele era uma das pessoas que iam dentro do carro no momento em que foram deflagrados os tiros que assassinaram as vítimas”, declara o promotor de Justiça José Antônio Malta Marques.

Prisão
Em dezembro de 2009, um ano e dois meses depois de fugir de Santo André, Everaldo foi preso na casa de parentes em Maceió. Hoje, ele cumpre pena em um presídio-modelo em Maceió. Ele também é acusado de outros três crimes de morte quando era cabo da Polícia Militar no estado de Alagoas.

Everaldo, de  47 anos, trabalha com artesanato na cadeia. Tem direito à televisão e a um aparelho de DVD na cela, que divide com um assaltante. O ex-policial é temido em Alagoas, suspeito de participar da chamada gangue fardada, um grupo de extermínio que agia nos anos 90. Ele disse ao Fantástico que nunca matou ninguém.

Em Santo André, onde viveu 15 anos, Everaldo não teve passagem pela polícia por nenhum crime. Trabalhava como segurança e, para não ser identificado, usava o nome falso de Aldo José da Silva. Ele diz que nem Lindemberg, nem Eloá, nem os outros dois filhos sabiam do passado dele.

Everaldo esperava que o disfarce nunca fosse descoberto até que ele foi visto na televisão por policiais de Alagoas. “Eu não tinha me alimentado e estava com problema de pressão. Quando eu vi a minha filha na janela, o coração explodiu. Não sai a imagem da minha cabeça. Eu sinto muito não ter chegado lá e ter tentado resgatar a minha filha saber que minha filha estava sendo espancada e ameaçada lá dentro com uma arma na cabeça”, diz o pai da vítima.

Lindemberg
“Pelo homem que eu sou, sabia que minha filha esperava eu arrombar aquela porta e entrar ali, mas não tinha como eu entrar ali para defender a minha filha”, declara o ex-cabo da PM.
Everaldo diz que foi ameaçado por Lindemberg. “Cheguei a falar (com ele por telefone). Ele falou que gostava muito de mim, mas, se eu tentasse entrar no apartamento, ele me matava e que ele iria matar a Nayara e iria matar a Eloá. E se Eloá não fosse dele, não seria de mais ninguém”, lembra.

O pai de Eloá lembra como reagiu quando a polícia invadiu o apartamento: “eu ouvi o estampido, aquele ‘bum’, aquela barulho. Aí eu gritei: ‘a minha filha’. Uns policiais que estavam por ali me seguraram, e eu fiquei olhando e eu não via a Eloá”, conta.

Ele critica a ação da Polícia Militar. “Ela errou. Tinha diversas maneiras de entrar naquele apartamento. Eu fui polícia e sei que teve muita chance de salvar a vida da minha filha”, afirma.
Em nota ao Fantástico, a Polícia Militar de São Paulo classificou aquela situação como sendo de ‘alto risco em função de diversas variáveis’. E disse que ‘todas as ações são tomadas visando salvar vidas’.

Uma juíza vai comandar o julgamento. A previsão é de que ele dure três dias. Lindemberg Alves vai sentar no banco dos réus, vigiado por dois policiais militares. Quando ele for interrogado pela juíza, vai ficar frente a frente com ela. Preso em flagrante logo depois do assassinato de Eloá,
Lindemberg nunca saiu da cadeia.

Preso, o pai de Eloá vai acompanhar da cela o julgamento do ex-namorado da filha. E se um dia, ele reencontrar Lindemberg? “Não gostaria de encontrá-lo. Você ver o assassino frente a frente. Eu sou homem. Eu não sei a minha reação nem sei a reação dele. Antigamente, ele não sabia quem eu era, mas hoje em dia ele já sabe quem eu sou, quem eu fui”, aponta Everaldo.

Do G1

sábado, 27 de março de 2010

Casal Nardoni é condenado pela morte de Isabella

Após cinco dias de julgamento e expectativa da opinião pública, o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foi condenado no início da madrugada do sábado (27) pela acusação da morte de Isabella Nardoni, ocorrida em 29 de março de 2008. À época, a garota tinha cinco anos. Nardoni foi sentenciado a 31 anos, um mês e 10 dias. Jatobá, a 26 anos e 8 meses de prisão.

À 0h28 deste sábado, o juiz Maurício Fossen leu a decisão dos jurados. Sete pessoas, três homens e quatro mulheres, foram incumbidas de decidir o futuro do casal. Cinco delas jamais haviam participado de um júri.

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Comemoração no Fórum de Santana após condenação do casal Nardoni (Foto: Daigo Oliva/G1) 
O juiz Fossen interrompeu a votação quando a contagem chegou a quatro votos favoráveis à condenação - segundo ele, o objetivo foi garantir o sigilo da escolha de cada jurado. Assim, não é possível afirmar que os réus foram condenados por unanimidade.

Enquanto a leitura da sentença era feita pelo juiz, Nardoni, de 31 anos, e Anna Jatobá, de 26 anos (coincidentemente o mesmo tempo de sentença dado a cada um dos réus), esboçaram pouca reação e choraram de forma discreta. Do lado de fora do fórum, quase três minutos de explosões de fogos de artifícios se seguiram.

Quase dois anos se passaram até a semana do julgamento, período em que Nardoni e Jatobá sempre negaram a autoria do crime.

O casal saiu do Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo, direto para o presídio de Tremembé (veja no vídeo acima). Na saída de Nardoni e Jatobá em direção ao presídio, a polícia no local chegou a usar gás de pimenta para afastar a aglomeração que tentou atacar o camburão.


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A mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, na sacada de seu apartamento após o resultado do júri (Foto: Reprodução/TV Globo)
Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, soube do resultado do júri por uma mensagem de celular. Segundo sua advogada, ela agradeceu aos jurados pela condenação pelo viva-voz do telefone. Ela chorou e acenou para pessoas na sacada de seu prédio na Vila Maria (Zona Norte de São Paulo).

O advogado de defesa Roberto Podval recorreu da decisão logo após o anúncio do veredicto - o casal não terá o direito de aguardar em liberdade. Ele não quis conceder entrevista e apenas declarou que o "brilho da noite é de (Francisco) Cembranelli", o promotor do caso.

Logo após o pronunciamento do juiz, Cembranelli expressou que a confiança na condenação do casal Nardoni era "total". "Sempre me senti pronto. O resultado (do julgamento) mostrou que eu estava certo", declarou ele, que foi aclamado pelos populares nos arredores do Fórum de Santana. "A certeza que eu tive sempre foi total. Nada me abalou."

Para Cristina Christo, advogada assistente de acusação, a linha do tempo (na argumentação do promotor sobre os horários das ligações telefônicas que colocam o casal dentro do apartamento no momento do crime) e os depoimentos do médico do IML, da perita e da delegada do caso foram fundamentais para a condenação.

Durante toda a semana, a curiosidade do público e a comoção quanto à morte de Isabella contribuíram para que o movimento em frente ao fórum fosse intenso. Às 22h20 de sexta, os sete jurados se reuniram na sala secreta do júri para escrever o último capítulo de um julgamento que chamou a atenção da opinião pública como nunca aconteceu antes. Terminava ali a luta do casal para se livrar da condenação e da Promotoria para provar a culpa dos dois.

Confira como foi a trajetória do casal Nardoni desde o primeiro dia de seu julgamento até o veredicto do júri.

1º DIA
Na segunda-feira (22), o depoimento emocionado de Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, marcou o primeiro dia do julgamento do pai da menina, Alexandre Nardoni, e da madrasta, Anna Carolina Jatobá, acusados da morte dela.

Durante a leitura da sentença de pronúncia (quando foram apontados os motivos pelos quais os dois foram mandados a júri), o juiz instruiu os jurados sobre o andamento e os ritos. Dos sete selecionados, cinco jamais haviam participado de um júri que foi formado por quatro mulheres e três homens.

O pedreiro Gabriel dos Santos Neto, uma das testemunhas-chave, que não havia sido localizado, foi o primeiro a chegar ao fórum.

Ana Carolina Oliveira

Durante seu testemunho, que começou por volta das 19h30, Ana Carolina chorou por diversas vezes. A primeira delas foi quando se recordou do momento em que encontrou a menina de 5 anos caída na grama do edifício London.

Ao relatar a trajetória da menina até o hospital, a mãe chorou outras três vezes. Ana Carolina se emocionou ainda ao falar sobre uma discussão com Jatobá ainda no prédio.  Uma das juradas também se emocionou. Ela falava sobre o momento em que ficou sabendo da morte da menina. A jurada não se segurou e começou a chorar.
Uma das juradas também se emocionou

Ana Carolina disse que Alexandre jamais conversou com ela sobre o que ocorreu no apartamento. Em seu depoimento, a mãe contou detalhes do relacionamento com Nardoni e disse que ele era violento e chegou a jogar o filho no chão uma vez.

Após seu depoimento, Ana Carolina ficou à disposição da Justiça. O pedido foi feito pelo advogado do casal Nardoni e aceito pelo juiz Maurício Fossen. Segundo Podval, poderia ser necessária uma acareação no decorrer do júri.

Personagens do 1º dia

As manifestações na frente do fórum também marcaram a segunda-feira. Amigos e vizinhos de Ana Carolina fizeram vigília. Pichações foram feitas no muro.

Antes mesmo do início do júri, o advogado Antonio Nardoni, pai de Alexandre Nardoni e sogro de Anna Carolina Jatobá, disse que estava próximo de ocorrer o 3º caso de maior injustiça da história do país.

Os dois outros casos, segundo ele, foram o da mãe acusada erroneamente de colocar cocaína na mamadeira da filha, em 2006, e o dos donos da Escola Base, acusados de abusar sexualmente de alunos, em 1994.

Masataka Ota, pai do menino Yves Ota, assassinado aos 8 anos, em 1997, após ser sequestrado, foi acompanhar a movimentação em frente ao fórum.

Houve confusão também entre o pessoal que esperou para entrar no Fórum de Santana. Mas o princípio de tumulto foi rapidamente controlado.

Final do dia

Ao final do primeiro dia de júri, o advogado do casal Nardoni mostrou-se cético quanto ao andamento do júri. "Está muito no início. A causa é muito difícil. Não temos nenhuma expectativa falsa. Estamos muito pé no chão. A opinião pública está formada", disse Podval.

Já o promotor Cembranelli afirmou que o processo deveria ser menos demorado do que o previsto, uma vez que a defesa dispensou parte das testemunhas. O promotor afirmou que na terça-feira a acusação levaria uma maquete a plenário.

Alexandre Nardoni passou a noite do CDP de Pinheiros e Jatobá na Penitenciária Feminina da Capital.

2º DIA
Na terça-feira (23), segundo dia de julgamento do casal Nardoni, três testemunhas foram ouvidas: delegada Renata Pontes, o médico-legista Paulo Sergio Tieppo Alves e o perito baiano Luiz Eduardo de Carvalho - que tinha seu nome mantido em segredo pelo promotor até esse dia. A sessão do júri começou às 10h05 e terminou por volta das 19h30.

Alexandre vestia uma camisa polo listrada azul e branca, calça jeans e tênis preto; Anna, por sua vez, usava uma camisa branca, calça jeans e uma sapatilha.

Durante os depoimentos, maquetes do edifício London e do apartamento do casal foram utilizadas. Os jurados também viram fotografias da menina após a morte. Nesse momento, a avó materna de Isabella, que acompanhava o júri da plateia, deixou a sala onde ocorria o julgamento.

Delegada

A primeira testemunha a depor na terça foi a delegada Renata Pontes, que indiciou o casal. Em seu depoimento, que durou cerca de 4 horas, ela afirmou ter "100% de certeza" de que Anna e Alexandre foram os responsáveis pela morte da menina e detalhou sua atuação na noite do dia 29 de março de 2008.

Ela contou que foi ao edifício e viu Isabella caída no jardim do prédio. "Ela parecia um anjinho", afirmou a delegada. Ao ouvir a frase da delegada, os avós maternos da menina, que acompanham o julgamento, começaram a chorar.

Renata rebateu a tese da defesa que afirma que a polícia seguiu apenas uma linha de investigação

Segundo ela, a certeza da culpa do casal veio após a constatação de que a menina foi agredida antes de cair da janela. Dessa forma, ela descartou morte acidental e latrocínio (roubo seguido de morte), duas versões sustentadas pela defesa.

Renata rebateu a tese da defesa que afirma que a polícia seguiu apenas uma linha de investigação. Em dado momento, o promotor perguntou se ela havia pressionado ou ofendido o casal. Ao ouvir a resposta negativa, Alexandre e Anna balançaram a cabeça, em sinal de reprovação.

Questionada pelo advogado Podval sobre detalhes da investigação, Renata endossou os laudos da perícia. Após o depoimento, o advogado pediu ao juiz para que a delegada ficasse à disposição da Justiça. O juiz aceitou o pedido.

Legista

Em seguida, após um pequeno recesso para o almoço, foi a vez do médico-legista Paulo Sergio Tieppo Alves testemunhar. Alves detalhou todo o processo de necropsia.

O promotor fez perguntas específicas ao legista para tentar frisar pontos que eliminassem dúvidas sobre o que considera um crime. Questionou, por exemplo, a presença de marcas de unhas na nuca e lesões na boca e no rosto. Segundo ele, esses detalhes comprovariam que houve esganadura.

O médico atacou um dos argumentos da defesa. De acordo com Podval, a tese de esganadura era frágil, porque o osso que fica entre o pescoço e a mandíbula não se rompeu. Tieppo Alves, no entanto, disse que em crianças com a mesma idade de Isabella esse osso é flexível como uma cartilagem.

A avó materna de Isabella deixou a sala assim que o médico-legista exibiu fotos do corpo da garota morta.

Perito baiano

O perito criminal baiano Luiz Eduardo de Carvalho Dória foi o último a ser ouvido na noite de terça-feira. Arrolado pela assistência de acusação, o perito analisou manchas de sangue encontradas na cena do crime, como em lençóis no quarto de onde Isabella caiu.

Segundo ele, "existem padrões de mancha que permitem estabelecer a altura" da qual ela caiu. De acordo com Dória, pela análise é possível concluir que as gotas no local do crime caíram de uma altura superior a 1,25m.

Personagens do 2º dia

A autora de novelas Gloria Perez acompanhou o segundo dia de julgamento. Em 1992, a filha de Gloria, a atriz Daniela Perez, foi assassinada. Ela disse que decidiu ir ao local dar apoiar a família da mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira.A autora de novelas Glória Perez acompanhou o segundo dia de julgamento

A escritora Ilana Casoy, autora do livro "O Quinto Mandamento", que trata do assassinato do casal Marísia e Manfred von Richthofen, também assistiu ao segundo dia do júri. Ela pretende escrever um livro sobre júri do casal Nardoni.

Final do 2º dia

Alexandre e Anna  Jatobá deixaram o fórum por volta das 20h10. Os dois deixaram o local em carros da Secretaria da Administação Penitenciária (SAP) em comboio. Eles voltaram a dormir em penitenciárias da capital. Alexandre Nardoni passou a noite do CDP de Pinheiros e Jatobá na Penitenciária Feminina da capital.

O casal permaneceu calmo durante o júri. Mas pouco antes do fim do segundo dia de julgamento, os dois já davam sinais de cansaço. Jatobá quase cochilou.

3º dia
Na quarta-feira (24), terceiro dia de julgamento do casal, outras três testemunhas foram ouvidas. O dia foi marcado pela dispensa de oito das dez testemunhas de defesa do casal e pela possibilidade que se abria de Alexandre e Anna Carolina serem colocados frente a frente com a mãe de Isabella.

Por volta das 19h, o julgamento foi interrompido pelo juiz Maurício Fossen, que, após negar, voltou atrás e deixou aberta a possibilidade para que fosse feita uma acareação entre o casal e Ana Carolina Oliveira.

Alexandre Nardoni vestia camisa verde e calça jeans e Anna Jatobá, camisa rosa e calça preta. O terceiro dia do julgamento também foi marcado pelo depoimento de mais de cinco horas da perita criminal Rosângela Monteiro.
Alexandre demonstrou contrariedade em alguns momentos

Enquanto a sessão do júri era conduzida, do lado de fora do fórum um princípio de tumulto entre pessoas que aguardavam na fila em frente ao fórum para assistir ao julgamento do casal obrigou a Polícia Militar a agir para controlar a situação.

Perita

Rosângela afirmou que as marcas da rede de proteção na camiseta de Nardoni evidenciam que foi ele quem atirou a menina pela janela. Segundo ela, seria impossível as marcas na camisa serem feitas de outra forma que não seja segurando um peso de 25 kg, com os braços estendidos para fora da janela. A perita também afirmou que o sangue encontrado no apartamento era da menina morta.

Alexandre e Anna Jatobá permaneceram impassíveis durante todo o testemunho; ele, no entanto, demonstrou mais atenção às explicações da perita do que ela.

Alexandre demonstrou contrariedade em alguns momentos e em apenas duas horas de depoimento chamou seus advogados sete vezes para fazer comentários.

Maquete quebrada

Por volta das 17h, começou o depoimento do jornalista Rogério Pagnan. Na época da queda de Isabella, ele fez uma entrevista com o pedreiro Gabriel Santos para o jornal "Folha de S.Paulo", em que ele afirmava que uma pessoa havia arrombado uma obra vizinha ao edifício London na noite da morte da menina.

O depoimento de Pagnan durou cerca de 40 minutos. Enquanto fazia uma demonstração, o jornalista quebrou um pedaço da maquete.

Última testemunha da defesa 

A terceira testemunha a depor foi o escrivão de polícia Jair Stirbulov. Ele terminou de falar às 18h. Foi a última testemunha a ser convocada pela defesa.

Questionado pelo advogado de defesa do casal, ele negou que policiais tenham comido algo no apartamento no dia seguinte ao crime. "Eu tenho 40 anos de serviço e fiquei muito chateado com aquela situação", afirmou, ao dizer que não comeu ovos de Páscoa ou tomou café no apartamento.

Personagens do terceiro dia

A irmã de Alexandre Nardoni, Cristiane Nardoni, chorou antes de começar o julgamento na quarta-feira. Ela se aproximou da divisória de madeira que separa o júri da plateia, bateu no peito e disse "Força! Força!" olhando para o irmão e para a cunhada. Alexandre respondeu também batendo no peito e sorrindo, sem dizer nada.

Pelo segundo dia consecutivo, a escritora de novelas Gloria Perez acompanhou a família de Ana Carolina Oliveira. O advogado do casal Nardoni comentou a presença da autora na plateia. "É um direito dela apoiar quem quiser. Sou um fã dela", disse.

Final do 3º dia

Ao final do terceiro dia de julgamento, o juiz Maurício Fossen chegou a negar o pedido da defesa para que fosse feita uma acareação entre o casal Nardoni e a mãe de Isabella. Logo em seguida, Fossen voltou atrás e deixou aberta essa possibilidade. Dessa forma, a acareação poderia ocorrer na quinta-feira.

De acordo com o promotor, a mãe de Isabella estava abalada e deprimida. Ele se disse contrário à acareação. "Não acrescenta nada", afirmou.

4º dia 
A quinta-feira (25), quarto dia de julgamento de Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, foi marcado pelo interrogatório dos réus. Os dois responderam a perguntas do juiz Maurício Fossen, da Promotoria, da defesa e dos jurados e negaram ter assassinado a garota. O julgamento do casal entrava em seus momentos decisivos.

O depoimento de Alexandre à Promotoria começou por volta das 10h45 e foi encerrado às 16h25, com um intervalo para almoço. Anna Carolina Jatobá começou a depor em seguida e seu interrogatório foi encerrado às 20h45.

Alexandre entrou no plenário vestindo uma camisa verde listrada, uma calça jeans e tênis preto. Já Anna usava camisa azul, calça jeans e uma sandália plástica.

A tensão foi aparente no quarto dia de julgamento e se tornou clara entre o promotor e o advogado de defesa

O dia foi marcado pela afirmação de Alexandre de que o delegado responsável pelo caso propôs que ele assumisse a culpa pela morte da garota e pela admissão de Anna Jatobá em seu interrogatório que, durante depoimento à polícia na época da morte de Isabella, "aumentou" e "inventou" informações.

A desistência da defesa do casal Nardoni em pedir uma acareação de Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni com a mãe da menina, Ana Carolina Oliveira, também foi um dos destaques da quinta-feira.

Alexandre Nardoni 

Em seu depoimento, Alexandre afirmou que o delegado Calixto Calil Filho propôs que ele assumisse a culpa pela morte da garota. Disse ainda que foi "humilhado" na delegacia durante as investigações da morte dela. O pai de Isabella chorou três vezes e negou o crime. O delegado não quis falar com a reportagem sobre a acusação.

Questionado pela assistente de acusação, Cristina Christo, se a madrasta de Isabella era ciumenta, Alexandre afirmou que isso "é normal em casais que se gostam". "Tanto a minha esposa atual como a mãe da minha filha tinham ciúmes, como eu tinha ciúmes delas", disse.

Alexandre negou que tenha visto uma terceira pessoa no apartamento do casal na noite em que Isabella foi morta. "Eu não vi ninguém de preto, não vi ninguém armado, não saí e tranquei a porta do apartamento, como divulgado pela imprensa", disse o réu.

Anna Jatobá 

Mais nervosa do que Alexandre, Anna Jatobá já entrou chorando no plenário. Ela chegou a ser advertida pelo juiz Maurício Fossen para que falasse mais devagar. Bastante emocionada durante o seu depoimento, a madrasta de Isabella continuou chorando em vários momentos diante do júri.

Por diversas vezes, o promotor apontou contradições entre o primeiro e o segundo depoimentos dados por ela à polícia na época da morte de Isabella. Anna Jatobá também afirmou que não é uma pessoa violenta. "Eu nunca bati em ninguém. Nunca fui violenta." Ela contou que antes de o filho mais velho nascer, ela e Alexandre brigavam muito. "Depois de ter meu filho, amadureci", contou.

A madrasta de Isabella levantou dúvidas sobre a conduta dos policiais durante a perícia realizada em sua casa após a morte da garota. Anna Jatobá disse ter sentido falta de um laptop no dia seguinte à morte da enteada. O desaparecimento, disse ela, foi notado após a perícia realizada no apartamento onde morava com o marido, Alexandre, e os dois filhos.

Questionada sobre o fato de não ter imediatamente ligado para a polícia, deu resposta similar à de Alexandre. "É de praxe tudo o que acontece eu e o Alexandre ligarmos para nossos pais. Na hora do desespero, a única coisa que pensamos foi ligar para nossos pais", disse.

Antes de encerrar seu interrogatório, Anna Carolina Jatobá disse que até hoje não sabe o que ocorreu no dia da morte de Isabella. "É um mistério para o mundo inteiro e para mim também. Eu me pergunto todos os dias o que aconteceu", afirmou a madrasta da menina, desatando a chorar logo depois.

Tensão


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O promotor Francisco Cembranelli (Foto: Daigo Oliva/G1)
A tensão foi aparente no quarto dia de julgamento e se tornou clara entre o promotor e o advogado de defesa. O juiz Maurício Fossen teve de intervir para interromper uma discussão entre eles.

A discussão ocorreu porque a cada manifestação de Cembranelli, Podval insistia em ouvir do promotor o número da folha do processo a que ele se referia. Em determinado momento, Cembranelli se irritou e iniciou-se uma discussão.

Nardoni também se irritou com o promotor. Questionado, ele respondeu que sempre usou óculos e provocou: "O senhor não sabe tudo da minha vida? Sem os óculos meus olhos ficam irritados", disse.

Após a resposta de Nardoni, o promotor afirmou que o choro do pai de Isabella "não tem lágrimas". O juiz Maurício Fossen mandou que os jurados não considerassem o comentário do promotor.

Final do 4º dia


Após a sessão ser interrompida na noite de quinta-feira, o advogado de defesa do casal disse, em entrevista, que os réus tinham uma chance pequena de absolvição.

"Quando eu assumi a defesa, eu disse a eles: 'Vão lá (no julgamento) e digam a verdade, toda a verdade. Mentindo, eu não ganho. Dizendo a verdade, eu tenho uma mínima chance de vitória. Se tiver chance, é pequena", afirmou Podval. "Eu entrei em um júri perdido, com a defesa destroçada e com a opinião pública querendo me bater."

5º dia
Na sexta-feira (26), quase dois anos depois da morte da menina Isabella, os brasileiros se preparam para acompanhar o que seria o último dia do julgamento do casal Nardoni. Após uma semana marcada por depoimentos das testemunhas e interrogatório dos réus, o anúncio do veredicto do júri foi antecedido por um dia tenso, marcado pelo debate entre a acusação e a defesa.

Anna Jatobá chegou ao Fórum de Santana por volta das 8h08. Alexandre Nardoni, às 8h33. Abalada e debilitada fisicamente, Ana Carolina de Oliveira, a mãe de Isabella, não compareceu ao último dia do julgamento.

Em frente ao fórum, uma imensa fila começou a se formar ainda durante a madrugada. O movimento seria intenso durante todo o dia. Nem mesmo a chuva foi capaz de afastar as pessoas do local.

Promotoria 

 A sessão foi retomada por volta das 10h26 com o promotor Francisco Cembranelli fazendo suas considerações. O promotor afirmou que o casal "estava no apartamento no momento em que Isabella caiu". Com o cruzamento de dados de ligações telefônicas e do rastreador do carro de Alexandre, ele construiu uma linha do tempo desde a entrada do veículo na garagem até momentos após Isabella cair da janela do sexto andar. "Isso é uma prova científica", relatou.

Cembranelli disse em seu pronunciamento ao Tribunal do Júri que as provas contra Anna Jatobá e Alexandre Nardoni eram "arrasadoras". Segundo ele, caso uma outra pessoa tivesse matado a menina, o júri seria "simples".
Promotor ficou nervoso durante sua réplica e disse ser alvo de uma "canalhice sem precedentes".

"Os olhos do Brasil estão voltados para essa sala. As provas são arrasadoras e as pessoas não querem vingança e, sim, justiça", disse Cembranelli.

O promotor lembrou que este é o seu tribunal de número 1078. "Não estou em busca de fama, de promoções. Talvez até me aposente depois deste júri. Eu trocaria o anonimato se pudesse devolver Isabella a Ana Oliveira", disse logo no início de sua explanação.

Ao lembrar a versão defendida pelos advogados de Nardoni de que o réu chegou ao apartamento e, ao se deparar com a tela de proteção rasgada, se projetou para fora da janela, se desesperou e telefonou para o pai, o promotor afirmou: "Eu talvez me jogasse da janela para chegar mais rápido".

Em seguida, Cembranelli perguntou ao advogado que defende os acusados: "E o senhor, não faria isso?". Podval, então, respondeu: "Ligaria para meu pai."

O representante do Ministério Público disse então que ele e a mãe da vítima, Ana Carolina Oliveira, esperam que os jurados "façam justiça". Por volta das 13h, o julgamento foi suspenso.

Às 14h43, os trabalhos do Tribunal do Júri foram ser retomados com a explanação do advogado de defesa, Roberto Podval. Logo no início de sua fala, ele chegou a chorar. O advogado elogiou o promotor do caso. "O Cembranelli me intimida." Podval afirmou que defender o casal Nardoni é uma das missões mais difíceis de sua vida, mas que "defende o que acredita."

Podval ironizou as falas da perita Rosângela Monteiro, que disse em seu depoimento ser a única capaz de realizar testes com o "blue star" no estado de São Paulo. Ele a chamou de arrogante.

"A pessoa mais esperada, ilustre, a mais culta, a única perita do Brasil que tem conhecimento para fazer teste do 'blue star'", disse no início da argumentação contra a perícia. Depois de apontar as falhas observadas por ele no trabalho, Podval completou: "Aí eu sou o maluco que fica criticando e questionando a gênia".

Ele tentou mostrar aos jurados a possibilidade de uma terceira pessoa no apartamento no dia da morte de Isabella usando o depoimento de uma testemunha à polícia. Essa testemunha disse que ouviu um barulho de porta batendo antes da queda da menina e que chegou a pensar que o barulho tivesse sido do impacto.

Durante a explanação do advogado Roberto Podval e teve de ser retirada temporariamente da sala do júri. Muito nervosa e chorando muito, ela chegou a ter enjôos e também apresentou queda na pressão.

Réplica 

Após um breve intervalo, o júri foi retomado por volta das 17h45. Dessa vez, com a réplica do promotor. Ele mostrou aos jurados fotos do quarto de Isabella. Para o promotor, "a própria dinâmica do quarto" mostra que a menina não chegou a ser colocada na cama. Para ele, o quarto estava do jeito que a menina deixou durante a manhã de 29 de março de 2008.

Em mais um momento de clara tensão, o promotor ficou nervoso durante sua réplica e disse ser alvo de uma "canalhice sem precedentes". A frase foi dita em referência à acusação de que o delegado propôs que Alexandre assumisse a culpa pela morte de Isabella e que ele estava presente neste momento, ainda durante as investigações.

Segundo ele, Anna Jatobá tinha um filho pequeno, que não dava descanso a ela, era uma "escrava", dependia financeiramente da família do marido e havia abandonado a faculdade. "Esse era um barril de pólvora que estava prestes a explodir", afirmou.

No fim de sua réplica, Cembranelli disse que "não há como absolver um e condenar o outro", em referência aos réus. "Não tem meia verdade, não tem meia história", disse ao júri.

Às 19h48, o júri foi novamente interrompido.

Tréplica 

Às 20h15 desta sexta-feira (26) com a tréplica do advogado de defesa. Ele, que tinha duas horas para fazer suas argumentações finais, utilizou apenas 45 minutos.

Podval reafirmou durante a tréplica no julgamento que não havia provas contra o casal. "Peço a absolvição deles por absoluta ausência de provas", disse.

Ele citou que, apesar de ter pingado sangue em diversos pontos do apartamento, não havia nada na roupa de Alexandre. "Essa criança sangrou no apartamento inteiro e não tinha uma gota de sangue na roupa dele?", questionou.

Ele afirmou que os horários passados pela Polícia Militar sobre o momento da ligação após a queda da menina são divergentes. Podval questionou se acusar com base nesses dados é seguro.

No final de sua argumentação, o advogado virou para o promotor Francisco Cembranelli e falou sobre o trabalho dele nestes dois anos no caso. E depois virou para os réus e disse que Cembranelli havia apenas feito o papel dele.

Decisão

Às 22h20, após um intervalo para o jantar, os sete jurados já estavam reunidos na sala secreta para definir o futuro do casal Nardoni.

Eles responderam às perguntas formuladas para decidir se condenavam ou inocentavam Alexandre e Anna Jatobá da morte de Isabella e da acusação de fraude processual.

Enquanto isso, do lado de fora, com o número de populares aumentando gradualmente em frente ao Fórum de Santana, o coronel Ricardo de Souza, responsável pela segurança do local, admitia que iria pedir reforço no número de policiais.

Do G1, em São Paulo

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Traficante: brigas, risos, broncas e toques de celular marcam julgamento de Beira-Mar



Brigas, risos, broncas e toques de celular marcam julgamento de Beira-Mar


Risos, brigas, broncas e toques de celular marcaram o julgamento do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, na tarde desta sexta-feira no 4º Tribunal do Júri do Rio. Ele foi julgado por um processo do ano 2000 sobre um tiroteio entre policiais e um grupo de traficantes ao qual ele é acusado de ter ligação. O traficante foi condenado nesta tarde a seis anos de prisão em regime fechado por associação ao tráfico.

Descontraído, Beira-Mar riu bastante e interagiu com amigos e parentes que assistiam à sessão no plenário do 4º Tribunal do Júri do Rio, no centro da cidade. Durante toda a sessão, que durou pouco mais de quatro horas, o plenário ficou lotado. Os celulares, que deveriam estar desligados, tocaram ao menos quatro vezes, o que irritou a juíza Maria Angélica Guerra Guedes, que julgava o caso.

Meia hora após o início da sessão, um celular com o toque do hino do Flamengo tocou, interrompendo a fala do promotor de Justiça Luciano Lessa dos Santos. A juíza chamou a atenção do proprietário do aparelho, que desculpou-se. Três minutos depois, um outro celular tocou, e a juíza levantou-se e interrompeu o promotor, ameaçando apreender o próximo aparelho que tocasse.

"Vocês não estão na casa do pai nem da mãe de vocês, estão na casa da Justiça. Isso é um desrespeito. Se tocar de novo, vou mandar esses policiais [federais, que acompanhavam Beira-Mar] apreenderem", disse. O próximo celular a tocar, contudo, foi justamente o de um dos policiais, que saiu apressado da sala, sob o olhar da juíza, que nada falou.

Por várias vezes durante a sessão Beira-Mar riu e gesticulou para conhecidos que assistiam ao julgamento. Fez um gesto circular em volta da barriga apontando para dois amigos. "Ele disse que a gente engordou", contou um deles, que não quis se identificar.

Em duas ocasiões, o traficante pediu para se retirar do julgamento. Na segunda delas, em que ficou fora por mais de 40 minutos, foi almoçar, segundo os policiais federais que o acompanhavam.

O promotor Luciano Lessa dos Santos e o advogado de Beira-Mar, Francisco Santana, protagonizaram discussões que arrancaram risos no plenário, inclusive da juíza e do traficante julgado. Durante a fala do advogado, que tentava convencer o júri que as provas do processo eram levianas, o promotor interrompeu, contestando a tese de Santana. Após uma discussão, o advogado disse que Santos "não sabe o que quer" e virou de costas. Com ironia, Santos disse: "magoei", e saiu da sala, sob gargalhadas do plenário.

Um homem que assistia a sessão disse, em voz alta, que a situação não era engraçada, e a juíza Maria Angélica, irritada com a interrupção, exigiu que ele fosse retirado do plenário. "O riso te incomoda?", indagou a juíza.

Beira-Mar deixou o prédio do Tribunal de Justiça do Rio, no centro, logo após o julgamento, acompanhado de cerca de 20 policiais federais.

No processo em que foi julgado nesta tarde, o traficante é acusado pelo Ministério Público do Rio de ter ligação com um grupo de traficantes que atirou contra policiais que o perseguiam em Duque de Caxias (Baixada Fluminense) em 1996. Para a Promotoria, o bando tentava evitar a prisão de Charles Silva Batista, o Charles do Lixão, líder do tráfico de drogas na favela do Lixão, em Duque de Caxias.

LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio